Com maior poder de barganha, SLC minimiza alta no custo agrícola

A SLC Agrícola, uma das maioresempresas produtoras de soja, milho e algodão do Brasil, deveráaumentar em cerca de 15 por cento a área plantada na próximasafra (2008/09), para quase 200 mil hectares, minimizando comseu maior poder de barganha com fornecedores a forte alta dosinsumos, disse um diretor. A empresa fundada em 1977, que abriu capital em junho de2007, com negócios focados exclusivamente na produção das trêscommodities agrícolas, tem buscado recursos no mercado comoforma de expandir a área plantada, num modelo de negócio quecomeçou a atrair também fundos e bancos de investimento noexterior [ID:nN13314449]. Com a recente mudança de patamar dos preços das commoditiesagrícolas, em função de uma maior demanda dos setoresalimentícios e de biocombustíveis, novos agentes estão em buscade terras, o que não parece intimidar os planos da SLC, que, aocontrário, quer aproveitar seu tamanho e modelo baseado emaltas produtividades para melhorar suas margens num setor comcustos crescentes. "Temos escala, somos um dos maiores produtores, tentamosusar esse poder de barganha para negociar preços melhores epagamos (fornecedores) adiantado também", disse à ReutersLaurence Gomes, diretor financeiro e de Relações comInvestidores da SLC. Esse trunfo dá à companhia, disse Gomes, capacidade deconseguir descontos sobre insumos, num momento em que os preçosdos fertilizantes, por exemplo, dobraram em relação à safrapassada --um diferencial importante dos grandes produtoressobre aqueles de médio e pequeno portes. Mas Gomes destacou que, se os insumos subiram, as cotaçõesdas commodities estão em seus maiores valores históricos, o quedeve, mais do que qualquer coisa, favorecer o desempenho dacompanhia em 2008. A SLC, que encerrou 2007 com lucro líquido de 31,6 milhõesde reais, aumento de 257 por cento ante 2006, prevê assimresultados melhores no atual exercício. "Em 07/08, estamos plantando 168 mil hectares, o querepresenta 43,5 por cento a mais do que a safra 06/07. Esseaumento será refletido no balanço de 2008. Com os preços emalta, apesar de os custos não serem os mesmos, vamos ter um bomano novamente", declarou Gomes. Em 2007/08, a companhia plantou em oito fazendas em cincoEstados brasileiros, com a área dividida em 50 por cento para asoja, 30 por cento para algodão e o restante para milho. "Mas asoja responde por 33 por cento do faturamento; o algodão é aocontrário... responde por 50 por cento do faturamento." A alta de custos, que deverá reduzir a área plantada dealgodão no Brasil em 08/09, segundo produtores, não afetará osplanos da SLC, que pretende manter os mesmos percentuais,dentro de sua estratégia de rotação de cultura. EMPRÉSTIMO JUNTO AO BIRD Dentro de seus planos de expansão de área, que prevêplantio de 193 mil hectares em 07/08 e 223 mil hectares em09/10, a empresa está negociando um empréstimo de 40 milhões dedólares para esse setor, junto ao IFC, do Banco Mundial. "Com certeza, ainda temos muitos negócios para seremfeitos... Estima-se que há mais de 100 milhões de hectares quepodem ser usados na agricultura no Brasil, e a SLC seespecializou em procurar terra em novas fronteiras...", disse. Ele comentou que, apesar do apetite por aquisições, acompanhia segue as atuais exigências do mercado desustentabilidade contra o desmatamento visando a agricultura."Um dos requisitos para tomar esses recursos (do IFC) é o deter boas práticas ambientais." Gomes admitiu ainda que a SLC não descarta vender alguns deseus ativos no futuro, "já que os preços da terra estão seapreciando (18 por cento em média no Brasil em 2007, segundo aFNP). "Mas sempre pensando em adquirir mais terras... achamosque é hora de comprar terras e não vender."

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