Com maior volatilidade do juro futuro, crescem suspensões do Tesouro Direto

O estresse do mercado nos meses que antecederam o primeiro turno eleitoral afetou não só dólar e Bolsa, mas também taxas dos títulos públicos

HUGO PASSARELLI, MARIANA CONGO, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2014 | 02h07

A especulação sobre a corrida presidencial não afetou somente Bolsa e dólar: respingou também no Tesouro Direto. Em agosto e setembro, as taxas de compra dos títulos públicos sofreram com a volatilidade dos juros futuros. O cenário foi influenciado pelas reviravoltas na disputa à Presidência, além dos mercados interno e externo.

A suspensão temporária da venda dos títulos no Tesouro Direto, que é feita quando as taxas futuras oscilam muito, ocorreu em nove ocasiões durante setembro - o maior número em um ano. Como as taxas de compra são atualizadas somente três vezes ao dia, quando o mercado secundário de títulos públicos apresenta muita volatilidade, o Tesouro Direto é obrigado a interromper suas negociações para que o preço do título não fique defasado.

"É raro esse tipo de interrupção, isso não ocorre durante períodos mais calmos para o mercado", afirma Fabrício Tota, gerente de home broker da corretora Socopa. Segundo Roberto Indech, analista da corretora Rico, as suspensões têm sido mais frequentes no período da manhã. "Só por volta das 11h30, após a abertura dos mercados no Brasil e nos Estados Unidos, é que se consegue ter uma visibilidade maior das taxas para negociação no Tesouro Direto", diz.

O cenário eleitoral não influencia esse mercado sozinho. No dia 9 de setembro, a agência de classificação de risco Moody's revisou a perspectiva da nota de crédito brasileira de estável para negativa. Isso significa que a agência pode cortar a classificação da dívida brasileira, caso o cenário econômico continue a se deteriorar no próximo governo.

Em geral, a visão do mercado nos últimos meses foi de que a vitória de Dilma Rousseff nas urnas significaria juros e inflação mais altos nos próximos anos. Já a vitória da candidata Marina Silva teria o efeito inverso. Com essas expectativas, as taxas de juros futuros oscilaram e, com elas, a taxa de compra no Tesouro Direto (leia mais acima).

No início de agosto, a taxa de compra da NTN-B Principal com vencimento em 2019 era 5,73%. Subiu para 5,98% em setembro. O Tesouro paga ao investidor desse título um juro fixo (a taxa de compra) mais a inflação acumulada no período contratado. A NTN-B Principal é o título mais negociado pelo Tesouro Direto.

Volatilidade. Em tempos de volatilidade na taxa de juros futuros, a renda fixa ganha um pouco da emoção encontrada no mercado de ações ou de câmbio. Na corretora Rico, um informe com recomendações de compra sobre o Tesouro Direto passou a ser enviado semanalmente aos clientes. Segundo Indech, em momentos de mais estabilidade essa comunicação não é tão frequente. "Antes ocorria volatilidade na espera das reuniões do Copom. Atualmente, essa oscilação ocorre mais em função de um sentimento de confiança ou não do investidor perante o mercado", afirma.

Qualquer que seja o título público, no entanto, é recomendada cautela ao investidor. "Ano que vem espera-se muita reforma econômica, então recomendamos uma postura conservadora para os investidores", afirma Renata Generoso, coordenadora comercial da corretora Spinelli.

Quem precisar vender o título antes do vencimento vai encontrar muita oscilação. Os papéis com prazo mais longo acabam sofrendo mais em tempos de incerteza, pois entre a compra e o vencimento, muito pode ocorrer. Mas, com a definição do próximo governo, as taxas tendem a se acalmar.

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