Pão de Açúcar
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Com marca própria, Pão de Açúcar quer ficar com 25% das vendas de cervejas especiais do grupo

A recém-lançada Fábrica 1959, que faz referência ao ano de fundação da rede, vai enfrentar a concorrência de marcas como Colorado, da Ambev, e Lagunitas, da Heineken

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 11h04

O GPA decidiu entrar no mercado das cervejas especiais e lançou a Fábrica 1959, marca exclusiva da rede que faz alusão ao ano de fundação do Pão de Açúcar. Com a fórmula criada em parceria com o Instituto da Cerveja Brasil e a cervejaria Imigração, do Rio Grande do Sul, a marca chega a todos os pontos de venda do GPA, incluindo o comércio eletrônico, com quatro rótulos: pilsen, IPA, weiss e witbier.

Um dos objetivos do GPA nesse segmento é aproveitar a onda crescente das cervejas especiais no País para expandir as vendas das marcas próprias do grupo. Hoje, as marcas exclusivas, que incluem Qualitá, Taeq, entre outras, representam 12,7% das vendas totais do GPA. A previsão da companhia é que até o fim de 2020 essa relação atinja 20%.

Para chegar às receitas usadas na Fábrica 1959, o GPA utilizou sua base de dados de mais de 20 milhões de clientes e analisou quais estilos teriam melhor aceitação. "Foram mais de dois anos de pesquisa para chegarmos aos sabores, receita, embalagem, rótulo e nome", afirmou o diretor de Marcas Exclusivas do GPA, Samir Jarrouj.

Com a Fábrica 1959, a expectativa do GPA é de que, em um ano, ela atinja 25% de participação nas vendas em volume da categoria de cervejas especiais do grupo. Para isso, a empresa vai investir em degustação nas lojas do grupo, pontos adicionais nas unidades, divulgação por meio da grande mídia e influenciadores.

O gupo vai enfrentar a competição com marcas já vinculadas a cervejas especiais, como a Colorado, da Ambev, e a recém-lançada no Brasil Lagunitas, da Heineken. Além das artesanais, que têm crescido na preferência do consumidor. "Cerveja artesanal é um produto muito sensível, depende de estratégia muito consolidada em redes sociais, que são, ao mesmo tempo, oportunidade e problema", afirmou o consultor Adalberto Viviani, especializado no setor de alimentos e bebidas.

Apesar das dificuldades, Viviani enxerga ampla possibilidade de sucesso na empreitada do GPA. "Por ser marca própria, eles regulam a oferta e têm preços competitivos", disse Viviani. "Como eles têm muitas lojas, colocando essa oferta de maneira acentuada é possível ter vendas significativas."

A iniciativa é novidade no ramo supermercadista. Até então, apenas o Dia havia testado a entrada nessa área, com o lançamento da marca Tag, uma cerveja puro malte, em 2015.

O mercado de cervejas especiais cresce de forma consistente no Brasil, mesmo com crise econômica. De acordo com o Anuário da Cerveja, elaborado pelo Ministério da Agricultura, em 2008 havia menos de 100 cervejarias registradas no País, enquanto no ano passado, o total chegou a 889, puxado pelas artesanais. Nesse número nem sequer estão contabilizadas as "cervejarias ciganas", empresas legalmente constituídas, mas que utilizam estrutura produtiva de outras cervejarias.

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