Com medida, relação entre BC e Fazenda deve melhorar

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), de cortar a taxa básica de juros do País, a Selic, em 1 ponto porcentual agradou o Ministério da Fazenda. Embora estivessem torcendo por uma redução dessa magnitude, os integrantes da pasta imaginavam que o consenso do mercado fosse prevalecer e o BC baixaria a Selic em 0,75 ponto porcentual. A surpresa proporcionada pela medida do Copom deixou visivelmente mais animada a equipe do ministro Guido Mantega e deve levar a uma melhora no relacionamento entre BC e Fazenda. Segundo fontes do ministério, a medida ainda terá efeito na atividade econômica deste ano, principalmente pelo canal das expectativas. A avaliação é de que os agentes econômicos - pessoas físicas e empresas - ficarão mais animados a consumir e investir e que os bancos vão baixar juros, estimulando o crédito e, consequentemente, o nível de atividade.Para o ano que vem, o Ministério da Fazenda acredita que aumentou a probabilidade de um crescimento superior a 4%, aproximando-se de 5%.De acordo com um assessor de Mantega, a medida ajuda também o investimento, pior dado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas isso não deve ocorrer de imediato, pois esse indicador depende primeiro da retomada na atividade econômica. Do ponto de vista da taxa de câmbio, a avaliação é que a decisão do BC ameniza a arbitragem (operação que busca ganhar com a diferença entre a taxa de juros interna e externa), mas não elimina o problema. "O importante é que isso reduz o custo de carregamento das reservas internacionais", disse a fonte, explicando que esse custo é dado pelos juros pagos pelo Brasil, quando emite dívida em reais para comprar dólares, menos os juros praticados no mercado internacional, onde estão aplicadas as reservas.A avaliação na Fazenda é que o ciclo de corte nos juros está próximo do final, mas novos cortes poderão ser feitos com números de inflação em queda que a área técnica acredita que surgirão nos próximos meses. A melhora nos índices de preços tende a derrubar as expectativas inflacionárias, o que facilita flexibilizações adicionais da política monetária.

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