José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Dólar fecha em alta nesta quinta-feira, mas cai 2% na semana

Mesmo com alta de 0,35% no pregão, moeda americana registrou 2ª queda semanal seguida, terminando a R$ 3,7763; Ibovespa fechou o dia em baixa de 0,91%

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2018 | 11h28
Atualizado 11 Outubro 2018 | 18h40

O dólar fechou a primeira semana após o primeiro turno das eleições acumulando queda de 2,07%, a segunda semana consecutiva de desvalorização. A moeda começou a segunda-feira em forte queda, com os investidores animados pelos resultados do primeiro turno, e terminou a sessão desta quinta-feira, 11, em tom de cautela, por conta do feriado prolongado, o aumento da aversão ao risco no exterior e o cenário eleitoral no foco.

O real acabou se descolando de outras moedas de emergentes e foi uma das poucas que perdeu valor ante a moeda americana. O dólar à vista fechou em alta de 0,35%, a R$ 3,7763. 

O câmbio começou o dia com o dólar em queda, repercutindo a pesquisa do Datafolha mostrando Jair Bolsonaro (PSL) 16 pontos porcentuais à frente de Fernando Haddad (PT). Mas o quadro externo menos favorável, com o investidor fugindo do risco, alimentou uma queda da bolsa e a compra de dólar por estrangeiros. Na parte da tarde, operadores relatam que houve saída de um fluxo grande pelo canal financeiro, ajudando a pressionar ainda a moeda americana, que bateu sucessivas máximas, indo a R$ 3,7867.

O dólar tem resistido a cair abaixo do patamar de R$ 3,70. Para o gestor da Rosenberg Asset, Eric Hatisuka, como uma possível vitória de Bolsonaro já está em boa parte embutida nos preços, os investidores estão agora monitorando mais de perto as declarações do presidenciável sobre como pode ser seu governo. Ele ressalta que causou e ainda causa ruído a declaração do presidenciável de que a Eletrobras não deve ser privatizada. Já se esperava que o capitão reformado não fosse vender a Petrobras e o Banco do Brasil, mas não a empresa de energia elétrica, que já estava no programa de venda do governo de Michel Temer, ressalta Hatisuka. "Com isso se abriu espaço para um rebalanceamento de preços", afirma o gestor. Na tarde de hoje, Bolsonaro disse não ser de extrema direita.

A estrategista da gestora BlackRock, Isabelle Mateos y Lago, com a possível vitória de Bolsonaro no segundo turno já sendo precificada, a expectativa é pela continuidade da agenda de reformas, ressalta em relatório nesta quinta-feira. Para os preços dos ativos em prazo mais longo, tudo vai depender da habilidade do novo governo de lidar com os problemas fiscais e estruturais do Brasil. "A abordagem do novo presidente sobre a reforma da Previdência e os gastos públicos serão cruciais em determinar o potencial de crescimento do Brasil", destaca a estrategista.

Ibovespa segue volatilidade de NY

A volatilidade das bolsas de Nova York e dos preços do petróleo teve efeitos diretos sobre o mercado brasileiro de ações e o Ibovespa teve nesta quinta sua segunda queda consecutiva, fechando aos 82.921,08 pontos (-0,91%).

A semana, que se iniciou em clima de euforia pelos resultados do primeiro turno das eleições, terminou com os investidores bem mais comedidos, em meio a incertezas no exterior e alguns ruídos internos. Ainda assim, o saldo da semana foi positivo, com o índice acumulando ganho de 0,73%. 

O bom humor pela manhã não resistiu à abertura negativa das bolsas de Nova York, que voltaram a refletir temores quanto à política monetária dos Estados Unidos e ao risco de desaquecimento da economia global. 

"Com as bolsas da Europa e de Nova York registrando novas rodadas de perdas, fica insustentável manter o Ibovespa em alta. A pesquisa Datafolha foi positiva, mas apenas por confirmar a vantagem de Bolsonaro nas urnas do primeiro turno. Já as declarações recentes dele, principalmente sobre reforma da Previdência, decepcionaram um pouco", disse o gerente de mesa de renda variável de uma tradicional corretora.

Depois das declarações sobre um processo vagaroso da reforma da Previdência e de se mostrar contrário à privatização das áreas de geração de energia, Bolsonaro voltou à cena com um discurso moderado. Descartou ser um político de extrema-direita, mas admitiu ser um admirador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Pela primeira vez, o candidato do PSL admitiu a possibilidade de não comparecer a debates, não por motivo de saúde, mas por questões estratégicas. Ao final do dia, anunciou nomes de seu eventual ministério, confirmando os nomes de Paulo Guedes (Fazenda e Planejamento), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e do general Augusto Heleno (Defesa).

Na análise por ações, foram destaque os papéis da Petrobrás, que terminaram o dia com perdas de 1,85% (ON) e 2,92% (PN). A queda esteve bastante relacionada aos preços do petróleo, que tiveram fortes perdas e voltaram ao menor valor em quase três semanas. Ainda entre os papéis sensíveis ao risco político estiveram Eletrobrás ON (-4,78%) e PNB (-2,28%), estendendo as perdas da véspera. No setor financeiro, apenas Bradesco ON (+0,58%) escapou das perdas, enquanto Itaú Unibanco PN caiu 1,19%.

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