Valeria Gonçalvez/ Estadão - 3/4/2006
Valeria Gonçalvez/ Estadão - 3/4/2006

Com melhora nos reservatórios, governo impõe mais restrições para geração de usinas térmicas

Apenas termelétricas com valor de até R$ 600 por megawatt-hora serão utilizadas; comitê também reduziu a quantidade de energia que poderá ser contratada das usinas

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2022 | 21h16

BRASÍLIA - Com a melhora nos reservatórios, o governo decidiu impor novos limites na geração de termelétricas e na importação de energia. Ao longo do ano passado, todas as usinas, até mesmo as mais caras, foram usadas para atender a demanda e evitar falhas no fornecimento de energia. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, as mudanças na política de operação do setor devem se traduzir na redução dos custos percebidos pelos consumidores, que enfrentaram sucessivos aumentos na conta de luz nos últimos meses.

As mudanças foram definidas em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta quarta-feira, 2. O colegiado é vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME) e presidido pelo ministro Bento Albuquerque

A partir de agora, só poderão ser contratadas termelétricas com Custo Variável Unitário (CVU) de até R$ 600 por megawatt-hora (MWh). Em janeiro o governo já havia reduzido o valor das térmicas que poderiam ser acionadas até R$ 1.000/MWh. O CVU corresponde ao custo da operação das usinas térmicas quando são chamadas para gerar energia. O cenário é bem distante do que foi visto em 2021, quando usinas com CVU superior a R$ 2.000/MWh foram ligadas para garantir o abastecimento.

O CMSE também voltou a reduzir a quantidade de energia que poderá ser contratada de térmicas e importada de países vizinhos. A partir de agora, o montante não poderá ultrapassar 10 mil megawatts médios (MWmédios). Em dezembro, a geração de energia por esta fonte e a importação de países vizinhos já haviam sido restritas a 15 mil megawatts médios .

“Diante dos resultados apresentados, considerando a continuidade da recuperação dos armazenamentos de relevantes reservatórios de usinas hidrelétricas, o atendimento aos usos múltiplos da água e as incertezas intrínsecas associadas à evolução da estação chuvosa em 2022, o CMSE manifestou-se pela redução da intensidade das medidas excepcionais para o atendimento à carga e a garantia do atendimento em 2022, cuja aplicação continuará a ser reavaliada periodicamente, em reuniões técnicas”, esclareceu a pasta em nota divulgada após a reunião.

Durante a reunião, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que em janeiro houve uma melhora na quantidade de água que chega aos reservatórios, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste - considerada a “caixa d’água” do sistema elétrico. De acordo com os dados, a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) apresentou uma variação de 2,1% em relação ao mês anterior e uma queda de 0,7% se comparada a janeiro de 2021.

“Nesse contexto e com o plano de recuperação dos reservatórios das usinas hidrelétricas, o volume do reservatório equivalente do SIN atingiu 49,4% ao final do mês de janeiro, 5,1 p.p. acima do previsto na reunião do CMSE de janeiro”, informou a pasta citando o reservatório de Furnas, localizado em Minas Gerais. Segundo o governo, a melhora nas condições permitiu o pleno uso da água para outras atividades além da geração de energia elétrica, como o turismo.

Além disso, foi indicada uma melhora na perspectiva de Energia Natural Afluente (ENA), que representa a quantidade de água recebida pelas usinas hidrelétricas que pode ser transformada em energia. “Para fevereiro de 2022, há a expectativa de um acréscimo de 4,5% na carga de energia elétrica em relação a janeiro de 2022. Já o armazenamento do SIN ao final de fevereiro deve se situar entre 55,2% e 60,6%, acima dos 38,3% verificados ao final de fevereiro de 2021.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.