REUTERS
REUTERS

Com pressão menor dos alimentos, inflação desacelera para 0,90% em fevereiro

Preços de alimentos e bebidas continuaram subindo, mas com menos força do que em janeiro; dentre os grupos, Educação exerceu a principal pressão, refletindo os reajustes do ano letivo

O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 09h04

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou fevereiro com alta de 0,90%, uma desaceleração ante a variação de 1,27% de janeiro, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

"Foi um recuo bastante significativo, ainda mais se observarmos que fevereiro é o mês em que é apropriado o reajuste das mensalidades da educação", ponderou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. "Mas não significa que os preços caíram. O nível de reajustes nos preços continua alto."

Os preços dos alimentos (1,06%) continuaram subindo, mas com menos força do que em janeiro (2,28%). Os produtos que tiveram as altas mais consideráveis em fevereiro foram a cenoura (23,79%) e a farinha de mandioca (11,40%). Na direção oposta, ficaram mais baratos o tomate (-12,63%) e a batata inglesa (-5,70%).

Dentre os grupos, Educação exerceu a principal pressão (+5,90%), refletindo os reajustes praticados no início do ano letivo - especialmente nos valores das mensalidades dos cursos regulares, que subiram 7,43%. Já nos cursos diversos (idioma, informática, etc.), a variação foi de 5,53%. Alimentação e Educação foram responsáveis por 60% da taxa do IPCA de fevereiro.

Com o resultado de fevereiro, que ficou abaixo das estimativas dos analistas, o IPCA no ano ficou em 2,18%. Já a taxa acumulada em 12 meses foi a 10,36%, muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%. Mas inferior aos 10,71% dos doze meses imediatamente anteriores - o primeiro arrefecimento registrado desde setembro do ano passado.  

Apenas quatro entre as 13 regiões pesquisadas no País acumulam aumentos de preços abaixo dos 10% nos 12 meses encerrados em fevereiro. "Varias regiões estão acima dos 10%. Significa que o custo de vida aumentou, ainda que tenha havido desaceleração dos preços de janeiro para fevereiro", disse Eulina.

As tarifas de ônibus urbanos, com alta de 2,61% em fevereiro, foram o destaque do grupo Transportes (0,62%). Além disso, houve aumento de 3,83% nas tarifas de trem, de 4,22% nos preços do etanol e de 0,55% na gasolina. Por outro lado, a queda nas passagens aéreas (-15,83%) foi significativa.

Vilã da inflação em 2015, a energia elétrica recuou 2,16% em fevereiro. O movimento deveu-se à redução no valor da bandeira tarifária vermelha, que passou de R$ 4,50 para R$ 3,00 por cada 100 kilowatts-hora consumidos, a partir de 1º de fevereiro. No início de março, houve nova redução, com a mudança da bandeira vermelha para amarela, na qual a cobrança adicional é reduzida para R$ 1,50.  

A conta de luz mais baixa acabou levando o grupo Habitação para uma deflação de 0,15% nem fevereiro, ante alta de 0,81% em janeiro. O grupo contribui com -0,02 ponto porcentual para o IPCA do mês.

O resultado só não foi mais baixo porque a taxa de água e esgoto aumentou 1,72%, como reflexo de reajustes registrados em Belém, Porto Alegre, Campo Grande e Brasília. Na região metropolitana de São Paulo houve aumento de 4,75%.

Entenda. O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento entre 1 a 40 salários mínimos. O ìndice abrange dez regiões metropolitanas do País, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília, e é usado como referência pelo governo para o cumprimento da meta de inflação. Atualmente, o centro da meta é de 4,5%, com variação de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. 

(Com informações de Daniela Amorim, da Agência Estado)

Tudo o que sabemos sobre:
inflaçãoIPCA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.