André Dusek/Estadão
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Com menos importações, contas externas fecham setembro no azul pelo sexto mês seguido

Resultado é o melhor para o mês desde o início da série história do Banco Central, em janeiro de 1995, mas, no acumulado do ano, rombo é de US$ 6,476 bilhões; investimentos estrangeiros despencaram

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2020 | 12h09

BRASÍLIA - O resultado das transações correntes do País com outros países ficou positivo pelo sexto mês seguido e fechou setembro em US$ 2,320 bilhões, informou nesta sexta-feira, 23, o Banco Central. É o melhor resultado para meses de setembro na série histórica do BC, iniciada em janeiro de 1995.

Os dados refletem os efeitos da pandemia de coronavírus, que a partir de março se intensificou no Brasil, reduzindo o volume de importações de produtos. O BC projetava para o mês passado superávit de US$ 3,7 bilhões na conta corrente.

O resultado de transações correntes, um dos principais do setor externo do País, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 5,355 bilhões em setembro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,621 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 1,625 bilhão. No caso da conta financeira, o resultado ficou positivo em US$ 2,313 bilhões.

No acumulado do ano até setembro, o rombo nas contas externas soma US$ 6,476 bilhões. A estimativa atual do BC é de déficit em conta corrente de US$ 10,2 bilhões em 2020. O cálculo foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).  

Nos 12 meses até setembro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 20,656 bilhões, o que representa 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o menor porcentual desde abril de 2018 (1,21%).  

Investimento estrangeiro é um quarto do registrado em setembro de 2019

Em um ambiente de incertezas sobre o futuro do Brasil, na esteira da pandemia do novo coronavírus, os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 1,597 bilhão em setembro. No mesmo período do ano passado, o montante havia sido de US$ 6,033 bilhões.

O resultado ficou abaixo do piso das estimativas apuradas pelo Projeções Broadcast, que iam de US$ 1,600 bilhão a US$ 6,300 bilhões, com mediana de US$ 2,100 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de setembro indicaria entrada de US$ 2 bilhões.  

No mês passado, em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro disse que os investimentos diretos no País aumentaram no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2019. "Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo", afirmou a outros líderes mundiais.

Os números do próprio BC, no entanto, o desmentem. O Brasil registrou no primeiro semestre de 2020 um total de US$ 25,349 bilhões de IDP, valor inferior aos US$ 32,233 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado.

No acumulado do ano até setembro, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 28,554 bilhões. A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 50 bilhões. 

No acumulado dos 12 meses até setembro deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em exatamente US$ 50 bilhões, o que representa 3,31% do PIB.

Gasto de brasileiro no exterior é o menor em 16 anos

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 301 milhões em setembro, de acordo com o BC. Na comparação com o mesmo mês de 2019, quando as despesas em outros países totalizaram US$ 1,330 bilhão, a queda foi de 77,3%. Esse também foi o menor valor para o mês de setembro desde 2004.

A forte queda acontece em meio à disparada do dólar e à escalada das tensões acerca do novo coronavírus, que resultou no fechamento de fronteiras e na suspensão de voos por alguns meses.

A moeda norte-americana tem registrado forte alta neste ano devido à pandemia, com os investidores avaliando o impacto do pacote de estímulo nas contas públicas - que vêm registrando forte deterioração.

De janeiro a setembro deste ano, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 4,411 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2019, quando as despesas no exterior totalizaram US$ 13,344 bilhões, a queda foi de 67%.

De acordo com dados do BC, em setembro deste ano os estrangeiros gastaram US$ 164 milhões no Brasil, com forte queda frente ao patamar registrado no mesmo mês de 2019 (US$ 400 milhões).

No acumulado do ano, as despesas de estrangeiros no Brasil somaram US$ 2,382 bilhões, com recuo frente ao mesmo período do ano passado - quando totalizaram US$ 4,542 bilhões.

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