Com menos investimento, estagnação na indústria

Em contraste com as sondagens que acusavam, há dias, uma melhora das expectativas para a indústria neste semestre, ontem o Informe Conjuntural da Confederação Nacional da Indústria (CNI) relativo ao trimestre julho-setembro retratou a gravidade da situação do setor, prevendo que a indústria em geral ficará estagnada, enquanto a indústria de transformação terá recuo de 1,9%, em relação a 2011.

O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h08

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é estimado pela CNI em apenas 1,5%, "mesmo com a esperada recuperação nos últimos meses do ano em resposta às medidas de estímulo e à nova relação câmbio-juro". Em resumo, não haverá tempo para que a melhora da atividade se reflita nos indicadores. Mesmo a desvalorização do real teve pouco impacto nas exportações, por causa da piora do cenário externo.

O responsável pelo tímido aumento previsto para o PIB é "o fraco desempenho do investimento". Isso mostra os limites ao crescimento via consumo e a fragilidade das políticas anticíclicas para permitir uma reativação econômica. A produção industrial não cresce desde 2010.

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, divulgado ontem pela Fiesp, caiu 0,3% entre julho e agosto e 6,6% nos primeiros oito meses de 2012, em relação a igual período de 2011.

As análises revelam a baixa eficácia da política econômica, pois, mesmo onde o crescimento persiste - caso do emprego e da construção civil -, houve perda de ritmo. Comparando agosto de 2011 com agosto de 2012, o emprego formal aumentou, mas houve queda de 3% do emprego sem carteira no setor privado. Entre setembro de 2009 e agosto de 2010, a indústria de transformação chegou a criar 577 mil vagas, caindo para apenas 25 mil entre setembro de 2011 e agosto de 2012, comparou a CNI.

Não faltaram estímulos oficiais à retomada, como o relaxamento fiscal e monetário. Mas a queda dos juros não foi acompanhada de expansão igualmente forte do crédito, principalmente para pessoas jurídicas. O gasto total do governo federal cresceu 6,3% reais nos primeiros sete meses do ano, comparado com o mesmo período de 2011.

É previsível que a economia - e a indústria - volte a crescer em 2013, além de atrair mais investimentos. Mas 2012 será conhecido como um ano perdido para a indústria.

Mesmo a recuperação dos investimentos no ano que vem, alertou o gerente executivo de pesquisas da CNI, Renato Fonseca, poderá ser prejudicada, em caso de agravamento da crise internacional.

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