Com militares, custo é até 40% menor

Engenharia do Exército encara empreitadas como missões

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Não é fácil encarar a Engenharia do Exército na execução de obras públicas. A começar pelo conceito: os especialistas militares encaram cada empreitada como uma missão, bem diferente da maneira como o trabalho é visto pelas empreiteiras privadas, para as quais o contrato é o que conta. O custo é menor. Geralmente, na faixa de 18%. Às vezes, 40% mais barato.Mais que isso: os engenheiros da Força Terrestre adotam, sempre, padrões críticos na execução das tarefas. Isso significa que as obras são feitas de acordo com exigências militares de resistência e rusticidade.A arma de Engenharia toca, no momento, 92 projetos de infraestrutura. Coisas diversas, como três novas pistas nos aeroportos de Rio Branco, no Acre, de São Luiz, no Maranhão, e de Porto Velho, em Rondônia. Também cuida das barragens e dos canais de aproximação do Rio São Francisco; só as escavações somam oito quilômetros de fosso hídrico.Na semana passada, os engenheiros do Exército receberam outra encomenda do governo, a mais recente da lista. O 10º Batalhão de Construção vai fazer todo o desvio de 6,5 mil metros da ferrovia que integra o Corredor de Exportação Santos-Jundiaí- Campinas no trecho que serve ao aeroporto de Viracopos.O desvio vai abrir espaço para a construção da segunda pista de pousos e decolagens. O prazo é curto, 180 dias. Pelo serviço, o Comando do Exército vai receber R$ 602,7 mil. "No mercado civil sairia entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões", estima um ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit. "É compreensível, considerados fatores como os atrasos na liberação de pagamentos e os encargos inerentes às empresas."Há também restrições técnicas. Uma falha frequente é a diferença entre os dados do levantamento prévio e a realidade encontrada no terreno. Para os militares, esse tipo de ocorrência é uma dificuldade. Para empreiteiras, é aumento de custo.Em tempo de crise e de conflito, a função de combate da Engenharia é facilitar deslocamentos das tropas por meio da recuperação de estradas e criando o meio adequado à evolução sobre obstáculos, por exemplo, a transposição de um grande rio. Simultaneamente, a ação deve criar dificuldades para o movimento do inimigo.Essas habilidades são exercitadas em tempo de paz na construção de açudes, rodovias, barragens, pontes, reservatórios e poços. A prioridade, no caso, é o trabalho em áreas complexas. A Amazônia, por exemplo. NÚMEROS92 projetosé o total de obras que a arma de Engenharia toca, no momento6,5 mil metrosé a extensão do desvio da ferrovia que o 10.º Batalhão vai fazer

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