Eugene Hoshiko/AP
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Mercados internacionais fecham sem sinal único com estímulos nos EUA e covid-19

Aparente disposição de Trump em negociar novas medidas de incentivo animou o investidor, mas temor ante a possibilidade de novos bloqueios na Europa causados pelo vírus preocupa

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 09 de outubro de 2020 | 18h27

As Bolsas da Ásia e da Europa encerraram o pregão sem direção única nesta sexta-feira, 9, dia do retorno de investidores chineses ao mercado após um feriado prolongado. Por lá, apesar da expectativa de mais estímulos fiscais nos Estados Unidos, preocupou o avanço do coronavírus na região, que faz crescer o temor diante da possibilidade de novos bloqueios. Já o mercado acionário de Nova York fechou em alta generalizada.

Chamou a atenção do investidor a aparente disposição do presidente americano, Donald Trump, de voltar a negociar medidas de estímulos, após barrar as negociações até depois das eleições. "Queria ver um pacote maior do que os republicanos e os democratas, que o dinheiro vá para as pessoas, elas não têm culpa", disse. Ele não comentou, porém, se poderia haver um acordo em breve com a oposição democrata sobre o tema, durante participação no programa de rádio do conservador Rush Limbaugh. 

Ainda de acordo com com Drew Hammill, porta-voz da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, ela e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, conversaram nesta sexta-feira sobre estímulos fiscais por "pouco mais de 30 minutos". Anteriormente, Mnuchin já havia dito estar "extremamente motivado" com a possibilidade de um acordo.

No entanto, o olhar do investidor também continuou atento ao aumento de casos de coronavírus no continente europeu, que precisou impor duros bloqueios no momento mais crítico da pandemia para conter o avanço da doença. "Os ganhos na Europa estão em terreno instável devido ao grande aumento nos casos de coronavírus em pontos críticos como Paris, onde hospitais foram colocados em situação de emergência", avalia o chefe de pesquisa do London Capital Group (LCG), Jasper Lawler. Na Espanha, foi decretado estado de emergência em Madri, cidade que já havia reimposto lockdown. 

Bolsas da Ásia 

O dia também foi de indicadores. Hoje, o PMI de serviços da China avançou de 54,0 em agosto para 54,8 em setembro, informou a IHS Markit em parceria com a Caixin Media. O resultado ajudou a dar o tom dos negócios nas bolsas locais, que ficaram dias paradas devido a um feriado local: hoje, Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 1,68% e 2,95% cada. A tendência de alta foi compartilhada pela bolsa australiana, que teve leve alta de 0,2%

Foram na contramão os índices Nikkei, de Tóquio, e o Hang Seng, de Hong Kong, que encerraram o dia em baixa de 0,12% e 0,31%, respectivamente. Já a Bolsa de Seul não funcionou nesta sexta-feira devido a um feriado local.  

Bolsas da Europa 

Por lá, a economia do Reino Unido teve alta de 2,1% em agosto em base mensal, conforme dados do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês), abaixo da expectativa do mercado. Também por lá foram divulgados dados da produção industrial, que avançou 0,3% em agosto ante julho, em desempenho decepcionante. Além disso, a pressão ainda aumentou com as negociações para o Brexit entrando na rodada final, com as expectativas voltadas ao dia 15 de outubro, prazo limite de um acordo indicado pelo primeiro ministro Boris Johson.

Hoje, o Stoxx 600 encerrou com alta de 0,55%. Subiram ainda a Bolsa de Londres, com 0,65%, Paris, com 0,71% e Frankfurt, com leve ganho de 0,07%. Milão também subiu 0,07%, mas Madri e Lisboa tiveram baixas de 0,60% e 0,96% cada.

Bolsas de Nova York

O possível sinal de avanço nas negociações por mais estímulos nos EUA sustentou o apetite por risco, com o Dow Jones na melhor semana desde agosto e o S&P 500 e o Nasdaq, em seus melhores desempenhos desde o início de julho, de acordo com a imprensa local.

Hoje, o Dow Jones fechou em alta de 0,57%, o S&P 500 subiu 0,88% e o Nasdaq avançou 1,39%. Na comparação semanal, o Dow Jones subiu 3,27%, o S&P 500 teve alta de 5,42% e o Nasdaq, de 4,56%. Entre os setores, o de tecnologia se destacou, com Apple em alta de 1,74% e Microsoft, de 2,48%. Entre os bancos, não houve sinal único, com JP Morgan em baixa de 0,57% e Citigroup em alta de 0,47%. Por lá, a expectativa fica por conta da temporada de balanços nos EUA, que a partir da próxima terça-feira, 13, deve indicar o bom desempenho do setor financeiro americano.

Petróleo 

petróleo fechou o pregão desta sexta-feira em baixa, em um movimento de realização de lucros após o rali de ontem e com o fim da greve de trabalhadores em petrolíferas da Noruega. Na semana, porém, a commodity energética acumulou alta, impulsionada pelo avanço do furacão Delta no Golfo do México.

"O petróleo teve uma semana de ganhos impressionantes", afirma o analista Bjornar Tonhaugen, da consultoria Rystad Energy. A perspectiva de restrição da oferta impulsionou os preços da commodity energética, com as greves no setor de energia norueguês e o avanço do furacão Delta, que deve chegar nesta sexta-feira à costa da Luisiana, nos EUA. No entanto, Tonhaugen pondera que os ganhos podem ser passageiros. "Os furacões que restringem a produção nos EUA diminuirão e a produção aumentará novamente, e o mesmo se aplica às greves na Noruega", diz o profissional. 

Hoje, o WTI para novembro caiu 1,43%, a US$ 40,60 o barril, mas avançou 9,58% na semana. Já o Brent para dezembro recuou 1,13%, a US$ 42,85 o barril, mas registrou ganho semanal de 9,12%./MAIARA SANTIAGO E IANDER PORCELLA

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