Com nova compra, BTG dobra área de gestão

Banco anunciou ontem a aquisição da gestora suíça BSI por US$ 1,7 bilhão

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2014 | 02h04

Cerca de US$ 200 bilhões em fortunas no mundo inteiro. Esse é o valor que o banco BTG Pactual terá sob sua gestão assim que os órgãos reguladores da Suíça e do Brasil aprovarem a compra da gestora de recursos suíça BSI, especializada na gestão de fortunas. O acordo de compra e venda fechado com o grupo Generali, dono do BSI, foi anunciado ontem e vai custar cerca de US$ 1,7 bilhão ao banqueiro brasileiro André Esteves.

Com a gestora suíça, o BTG, que hoje administra US$ 100 bilhões, dobra de tamanho no segmento de gestão de recursos. A estratégia é ter uma base de clientes que possa dar sustentação aos negócios gerados pelo banco e também gerar novos negócios. Esteves diz que a mudança dos negócios financeiros na Suíça, que está deixando de ser um paraíso do sigilo bancário, é uma oportunidade para aqueles que quiserem se destacar em oferecer serviços financeiros.

A aquisição marca a volta do banqueiro ao mercado suíço. Em 2006, Esteves e seus sócios venderam o então banco Pactual para o suíço UBS, por US$ 2,6 bilhões. O banqueiro passou a ser um dos principais executivos do UBS naquele país. Três anos depois, Esteves já havia deixado a instituição estrangeira e voltado ao Brasil, criando o BTG. Em 2009, o banqueiro brasileiro recomprou seu Pactual, por menos do que havia recebido três anos antes.

O UBS, em meio à crise financeira internacional, teve que se desfazer rapidamente de ativos e a pressão de Esteves para pagar menos não teria agradado os reguladores do país.

Agora, segundo fontes do setor, o BTG teria tentado crescer de forma orgânica na Suíça, mas não contou com a boa vontade dos reguladores em função do histórico de Esteves com o banco suíço UBS.

Desde que criou o BTG, o crescimento do banco tem sido exponencial. Em 2008, o banco administrava US$ 1,5 bilhão, hoje tem US$ 100 bilhões sob sua gestão e, com o BSI, chegará a US$ 200 bilhões. Esteves e o BTG podem até ser pouco conhecidos do poupador comum, mais habituado a aplicar seu dinheiro em nomes como Bradesco ou Banco do Brasil. Mas entre empresários, fundos de previdência, investidores e donos de fortunas, Esteves e sua equipe são famosos pela agressividade com que atuam para conquistar clientes.

Expansão. Com a aquisição, o banco, que já tem forte atuação na América Latina, ampliará sua base para 11 novos países.

A principal atividade de um banco de investimento, que é a categoria onde está inserido o BTG, é comprar e vender companhias, conceder empréstimos a grandes empresas, fazer ofertas públicas de ações. Junto com essa atividade, os bancos também gerem recursos de terceiros porque o dinheiro dos outros é o motor do negócio.

Nesse segmento, a instituição gere fundos de todos os tipos incluindo os de participações em empresas (chamados private equities).

Na média, dos negócios gerados pelo banco em atividades de compra e venda de empresas ou de emissões de ações, cerca de 50% são absorvidos pelos próprios clientes do banco que estão com seus recursos alocados em fundos ou na gestora de recursos do BTG.

"Não tem nenhum negócio que geramos que não tenha participação dos clientes e eles apreciam o fato de ter esta oportunidade", disse André Esteves, em teleconferência com jornalistas. A expectativa é que o negócio seja concluído somente em 2015.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.