Com nova queda na 6a, Bovespa cai 20% em semana de pânico

Um misto de desespero e esperança em relação à crise financeira global acompanhou os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo nesta sexta-feira, no último capítulo de uma das piores semanas de sua história. Preso ao vaivém de Wall Street, o Ibovespa fechou desvalorizado em 3,97 por cento, aos 35.609 pontos, cravando desvalorização semanal de 20 por cento. A perda sobe para 28,5 por cento com sete sessões consecutivas no vermelho. A volatilidade intensa garantiu ao pregão um giro financeiro de 5,42 bilhões de reais. Diferente do histórico recente, no entanto, o dia terminou melhor do que no início. Em meio a temores de novos colapsos de grandes bancos nos Estados Unidos, uma perda de mais de 10 por cento do Ibovespa levou o circuit breaker a interromper os negócios pela terceira sessão em duas semanas. O ambiente não melhorou até o meio do dia, com o principal índice europeu de ações naufragando 7,6 por cento, para o menor nível em 5 anos e meio. Já no final da tarde, Wall Street ameaçou uma arrancada, que chegou a levar os principais índices para o azul por alguns minutos, depois de terem chegado a desabar mais de 7 por cento na abertura. O movimento, segundo operadores, baseou-se na expectativa de alguns profissionais do mercado de que a reunião de emergência de líderes do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) desta sexta-feira e o encontro anual do FMI no fim de semana poderia resultar na adoção de medidas eficazes para amortecer os efeitos da crise mundial. Depois de oscilar fortemente nos últimos minutos, o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, fechou em queda de 1,49 por cento. Antes disso, o mercado de petróleo já fechara com o barril da commodity na casa dos 77 dólares, no menor nível desde setembro do ano passado. Esse movimento impediu uma recuperação de Petrobras, a ação mais importante do Ibovespa, que fechou em baixa de 7,26 por cento, a 24 reais. "Há fundamentos para justificar uma recuperação de diversas ações. Mas também há muitas dúvidas sobre a extensão da crise sobre a economia mundial. O mercado continua muito incerto e sujeito a muita volatilidade", resumiu Raffi Dokuzian, superintendente da Banif Corretora. Na segunda-feira, os mercados nova-iorquinos devem operar em ritmo bem mais lento, já que o feriado norte-americano de Columbus Day paralisa as negociações com bônus soberanos.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

10 Outubro 2008 | 19h17

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