Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com novo índice, investidor da B3 poderá monitorar adesão de empresas à agenda ESG

Bolsa brasileira passa a revelar a nota que as empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) receberam em temas como governança e meio ambiente

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2021 | 13h09

A B3 alterou a metodologia do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), permitindo, pela primeira fez em 16 anos de existência, que gestores e investidores possam mapear quais são as empresas mais engajadas aos aspectos de responsabilidade ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês) no mercado e dentro de seus setores. 

Até agora, o índice apenas mostrava as companhias que, após atenderem critérios de liquidez e responderem a um extenso questionário, estavam adequadas a fazer parte do índice. Também era possível ter acesso ao questionário e as respostas dadas pelas companhias. Mas se tratava de um material bruto.

Agora, a B3 passa a mostrar qual nota a companhia recebeu no cumprimento de todos e de cada um dos critérios de avaliação, permitindo dessa forma, que o mercado enxergue como está em termos de evolução em relação a si mesmo, ao seu setor e de modo geral.

As notas serão atribuídas em relação ao cumprimento de quesitos que envolvem as seguintes dimensões: capital humano, governança corporativa e alta gestão, modelo de negócios e inovação, capital social, meio ambiente e mudança do clima. A empresa que tiver a maior nota em todos os quesitos terá, portanto, a maior nota no índice. Ao mesmo tempo, cada empresa poderá ser avaliada dentro do seu setor.

Essa leitura vai também além das empresas que estarão representadas no índice. Todas as respondentes, mesmo que não tenham atendido aos critérios do índice, terão uma nota. Dessa forma, a B3 acredita que estará mais próxima de cumprir seu papel de indutor das práticas de sustentabilidade.

"É um passo bem largo em relação à transparência", diz Ana Buchaim, diretora executiva de sustentabilidade da B3. Segundo ela, embora a mudanças pontuais viessem sendo feitas no índice, a bolsa percebeu uma demanda vinda de gestores, incluindo de fundos de pensão, de organizações da sociedade civil, consultorias e das empresas.

Sem cobrança nem limites

Alguns pontos destacados por ela nesse sentido é o fim da cobrança de um taxa de inscrição de R$ 35 mil para participar do processo de seleção e responder ao questionário. A B3 também deixou o questionário mais enxuto e também setorizado. 

"Isentamos porque temos interesse que mais empresas passem por esse processo”, diz a executiva

A B3 não definiu ainda a metodologia de exclusão de empresas, que será escrita no começo do ano de 2022. 

O ISE tem atualmente 46 ações de 39 companhias. São elas: AES Tietê, B2W, Banco do Brasil, Bradesco, BRF, BTG Pactual, CCR, Cemig, Cielo, Copel, Cosan, CPFL, Duratex, Ecorodovias, EDP, Eletrobras, Engie, Fleury, Grupo Pão de Açúcar, Itaú Unibanco, Itaúsa, Klabin, Light, Lojas Americanas, Lojas Renner, Marfrig, M. Dias Branco, Minerva, Neoenergia, Movida, MRV, Natura, BR Distribuidora, Petrobrás, Santander, Suzano, Telefônica, TIM e Weg.

Com a nova metodologia, acaba o limite de 40 empresas em sua composição e o índice terá o número de empresas que somarem a nota de corte com o indicador de liquidez de sua ação. 

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