Com novos participantes, governo leiloa ponte Rio-Niterói nesta quarta-feira

Em 30 anos, concessão vai gerar investimento de R$ 1,3 bilhão; vence a proposta que apresentar a menor tarifa

Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2015 | 22h29

BRASÍLIA - Confirmando a previsão de técnicos do governo, o leilão de concessão da ponte Rio-Niterói, marcado para esta quarta-feira, 17, na BM&FBovespa, atraiu grupos empresariais que não participaram da rodada anterior, entre 2012 e 2013, dominada pelas grandes construtoras nacionais. O surgimento de novos "players" foi previsto depois que as principais empreiteiras brasileiras se viram na mira das investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal, e passaram a enfrentar dificuldades para obter crédito. 

Entre as "novidades", estão braços logísticos de dois frigoríficos: o Infra Bertin Participações S.A. e a CS Brasil Transportes de Passageiros e Serviços Ambientais (que é do grupo JSL). Outro novo participante é o Consórcio Nova Guanabara (formado por A. Madeira Indústria e Comércio Ltda., Coimex Empreendimentos e Participações Ltda., Urbesa Administração e Participações Ltda. e Rio do Frade Empreendimentos Ltda.) Ao lado delas estarão três candidatos que participaram da rodada anterior promovida pelo governo federal. 

A CCR, atual concessionária da ponte e autora dos estudos econômicos que embasaram o edital de leilão, apresentou uma proposta. Também estão no páreo a Triunfo e a Ecorodovias. As propostas foram apresentadas na segunda-feira, mas os nomes dos participantes foram divulgados ontem. Nenhum dos candidatos foi desclassificado, informou ontem a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 

A abertura dos envelopes com as propostas ocorrerá nesta quarta-feira, 17. Vencerá o leilão o grupo que se propuser a cobrar a menor tarifa, a partir de um teto de R$ 5,18 fixado no edital. A concessão durará 30 anos e mobilizará investimentos da ordem de R$ 1,3 bilhão. A forte disputa foi saudada pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, como um sinal que o Brasil continua a ser atraente para os investidores e que há confiança no crescimento da economia. 

Ele observou que a ponte Rio-Niterói tem a vantagem de permitir ao concessionário arrecadar tarifas já no primeiro dia. É diferente de outras concessões rodoviárias, nas quais as empresas precisam duplicar 10% da estrada antes de começar a cobrar pedágio. Incumbido pela presidente Dilma Rousseff de elaborar uma agenda de investimentos no País, Barbosa estará na Bolsa para assistir ao leilão, ao lado do ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues. 

Além da operação e manutenção, o novo concessionário precisará fazer importantes obras de acesso para a ponte. O contrato prevê a construção de uma ligação com a Linha Vermelha por meio de uma via elevada, de forma que os motoristas que têm como destino a Baixada Fluminense ou a Dutra não precisarão passar pela Avenida Brasil. Pelo lado de Niterói, está prevista um "mergulhão"sob a praça Renascença.

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