Com NY e aumento do juro, Bovespa cai mais de 2%

Movimento ocorre após a elevação da Selic em 0,75 p.p., para 13%, o que contrariou uma parte do mercado

Agência Estado,

24 de julho de 2008 | 14h57

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em terreno negativo e chegou a cair mais de 2% nesta quinta-feira, 24, acompanhando Nova York e reagindo à decisão do Copom, que elevou a taxa Selic em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano. A decisão contrariou uma parte do mercado, que esperava avanço de 0,50 ponto. Além da influência externa, a queda das ações da Petrobras e da Vale, que tem peso relevante no índice, contribui para o mau humor.  Veja também:A evolução da taxa Selic no governo Lula  Economistas já prevêem nova alta de 0,75 em setembro Lula: inflação não voltará, podem tirar o cavalo da chuva Entenda os principais índices de inflação  De olho na inflação, preço por preço Às 15h01, o Ibovespa registrava queda de 2,02%, aos 58.212 pontos. O índice paulista já variou entre a mínima de 57.871 pontos (-2,61%) e a máxima de 59.641 pontos (+0,37%). No mesmo instante, Petro PN perdia 2,88%, a R$ 35,07 e ON cedia 3,09%, a R$ 42,65, enquanto Vale PNA caia 3,35%, a R$ 38,72 e ON tinha desvalorização de 3,75%, a R$ 44,15.  Desta vez, para a Petrobras, o vilão não é o preço do petróleo e, sim, um grande banco brasileiro que está se desfazendo de uma enorme quantidade de papéis da estatal. Já no caso de Vale, também foi a venda por parte de um banco, só que estrangeiro.  As siderúrgicas, por sua vez, sofrem em reação ao Copom e são destaques de queda do Ibovespa. Às 13h37, Gerdau PN (-5,30%), Usiminas PNA (-5,28%), Metalúrgica Gerdau PN (-3,56%), CSN ON (-3,68%), e Usiminas ON (-4,62%).  O recuo acima do esperado nas vendas de imóveis residenciais usados nos EUA - o declínio foi de 2,6% em junho, ante estimativa de recuo de 0,8% - fez as bolsas norte-americanas aprofundarem as perdas e o euro virar e passar a subir ante o dólar. Às 13h46, Dow Jones apresentava declínio de 1,21%, Nasdaq tinha queda de 0,97% e S&P-500 perdia 1,13%.  Na Europa, as bolsas encerraram em queda também reagindo aos dados ruins dos EUA. Londres (-1,61%), Paris (-1,38%) e Frankfurt (-1,46%).  Inflação O Banco Central demonstrou na quarta-feira que não está seguro de que a desaceleração na margem dos preços ao consumidor e das commodities representa uma tendência. Houve forte oscilação desses preços desde a última reunião, e é cedo para apostar em continuidade da queda. Operadores observam também que, ainda que haja um alívio nos preços internacionais, o BC terá de combater os efeitos derivados das altas já ocorridas. Ou seja, a economia ainda aquecida tem experimentado a contaminação dos choques recentes de preços, e o BC quer evitar que essas altas se espalhem.

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