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Com o aumento dos preços, fundos de inflação voltam ao radar dos investidores

Produto, que registrou saldo negativo em 2014, neste ano está com captação positiva e, em 12 meses, rende 2 pontos acima da renda fixa comum

YOLANDA FORDELONE, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2015 | 02h06

A inflação elevada nos últimos meses reverteu uma tendência dos fundos de renda fixa índice. Tal categoria, que em 2014 teve resgate de R$ 5,15 bilhões, neste ano está com captação positiva de R$ 536,8 milhões. A rentabilidade acumulada em 12 meses já supera em dois pontos porcentuais a do fundo de renda fixa tradicional. Como a perspectiva é de mais altas de preços ao longo de 2015, o mercado espera que o produto volte a atrair investidores.

"A renda fixa índices teve captação negativa em 2014, mas não perdeu investimentos porque foi mal, pelo contrário. O investidor saiu do fundo porque a rentabilidade foi alta e ele resolveu realizar o lucro", diz a superintendente de desenvolvimento de produtos de ativos de terceiros da Caixa Econômica Federal, Alenir de Oliveira Romanello. Enquanto os fundos de índice têm alta de 13,74% em 12 meses, as demais categorias de renda fixa rendem na faixa de 11%.

O último Boletim Focus reforçou a aposta na inflação mais elevada este ano. Agora, os analistas esperam um aumento nos preços de mais de 8% em 2015. "As pessoas que desejam defender seu capital tendo o menor risco possível já estão procurando estes fundos", afirma o diretor de investimentos do Bradesco, Marcos Daré.

Os fundos de índice investem em títulos públicos de inflação, que rendem um juro fixo mais variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). São as Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-Bs). A vantagem em relação ao Tesouro Direto é a diversificação da carteira. Além disso, a gestão é ativa. "O gestor adequa a carteira de acordo com o cenário econômico", diz o superintendente executivo da Santander Asset Management, Eduardo Castro.

 

  No Tesouro Direto, apesar de ser possível revender o título para o governo diariamente, o indicado é segurá-lo até o vencimento. "No momento da compra o juro é prefixado. O investidor vai ter aquele ganho. Tudo o que é prefixado ao longo do tempo pode ter um ganho ou não, se a taxa Selic subir", diz Daré.

Enquanto fundos de renda fixa comuns geralmente se baseiam na taxa CDI, a maioria dos fundos de inflação tenta acompanhar o Índice de Mercado Anbima B (IMA-B), composto por NTN-Bs. A diferença entre o resultado do IMA-B e a rentabilidade do fundo se deve basicamente à taxa de administração cobrada, que, assim como em outros investimentos, em geral segue a aplicação inicial: quanto menor o valor de entrada, maior é a taxa.

Segundo a ferramenta "Escolha Seu Fundo", da Anbima, há 99 fundos de inflação. No varejo, a aplicação inicial começa em R$ 50, com taxa de administração de 2% ao ano. Para quantias maiores, como R$ 50 mil, a taxa cai para 0,10%. No mercado, porém, há outros investimentos que protegem contra a inflação (veja quadro acima).

Perfil. Além de serem indicados como diversificação da carteira, os fundos de inflação atendem a um público específico. Especialistas sugerem fazer a análise de perfil para verificar se o investidor aceita algum tipo de risco. Isso porque as cotas destes fundos são voláteis, já que sofrem o efeito da marcação a mercado. Ou seja, todos os dias os fundos são obrigados a precificar os papéis da carteira. 

"Estes fundos são indicados para o médio e longo prazo. Quanto maior o tempo de permanência na aplicação, maior a chance de neutralizar uma eventual queda da cota", diz o gerente executivo de fundos renda fixa do Banco do Brasil, André Abreu, ao lembrar que em geral os fundos carregam papéis longos, que podem ter vencimento acima até de 10 anos.

O principal risco dos fundos de inflação está justamente na volatilidade. Caso o investidor tenha de resgatar a aplicação quando a cota estiver valendo menos, estará assumindo um prejuízo. Outro risco é a inflação ser baixa, o que, pelo menos neste ano, não deve ocorrer.

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