Gonzalo Fuentes/ Reuters
Gonzalo Fuentes/ Reuters

Com o avanço do 5G, estamos preparados para alimentar sistemas de data centers cada vez maiores?

Haverá a consequente amplificação de atividades realizadas por meios digitais, mas que será mais intensa por causa do maior fluxo de dados; surgirá uma segunda onda de demanda por energia

Carlos Evangelista*, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2021 | 04h00

O leilão de concessão da operação do serviço 5G no Brasil é fato a ser comemorado, mas implementar o novo sistema implica múltiplos desafios. 

Instalar outras antenas em quantidade maior que na atual rede 4G é a ponta de um iceberg de entraves, cuja base submersa pode ser sintetizada em uma única palavra: energia. Estima-se que a elevação no consumo poderá ser de até 3,5 vezes.

Durante o Global Digital Power Summit, evento realizado em Dubai, especialistas de diferentes países colocaram suas preocupações quanto ao avanço do 5G e apresentaram algumas respostas para outras dúvidas que rondam regiões do planeta onde nem sequer há crise de fornecimento: estamos preparados para alimentar novos sistemas de data centers cada vez maiores?

Com o avanço do 5G, haverá a consequente amplificação de atividades realizadas por meios digitais, uma tendência que experimentamos com a pandemia, mas que será mais intensa por causa do maior fluxo de dados. Surgirá uma segunda onda de demanda por energia, ao passo que será cada vez mais natural, até obrigatório, que empresas contem com seus próprios data centers.

Além do desenvolvimento de novos modelos de hardware e software que consigam realizar as mesmas tarefas com menor consumo de energia, propõe-se a construção de data center verdes e de baixa emissão de carbono. Nesses pontos, a geração descentralizada de energia por meio de sistemas fotovoltaicos ganhou destaque durante os debates.

Em consenso, afirmaram que a geração própria, por meio da energia solar e outras fontes renováveis, é imprescindível para garantir o suprimento necessário. Cada nova antena de 5G poderá ter seu próprio painel de energia solar, produzindo energia para si e para a rede elétrica local.

Empresas que vão construir data centers poderão ter incentivo para investir, em algum regime de cooperação, em pequenos e médios parques fotovoltaicos ou de outras fontes renováveis de geração distribuída.

Há possibilidade de, por meio de políticas públicas bem estruturadas, potencializar o avanço da geração distribuída, dada a demanda por energia que está por surgir e a necessidade de diversificar a matriz elétrica brasileira, hoje altamente dependente das hidrelétricas. As unidades de minigeração e microgeração serão peças-chave para garantir um futuro conectado e acessível para todos.

* PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA (ABGD)

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