Com o caos, carteiro sofre até agressões

O risco de caos postal de que tanto se tem falado nos últimos tempos caso as agências franqueadas dos Correios fechem as portas a partir de 10 de novembro já é realidade para funcionários e clientes da estatal. Com o aumento de correspondência e a redução do quadro de funcionários (resultado de um Programa de Demissão Voluntária que cortou cerca de 5 mil funcionários), o atraso na entrega das encomendas tem chegado a uma semana em alguns Estados.

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Inconformados em pagar as contas fora do vencimento, com juros, os clientes têm tratado os carteiros com hostilidade. Há relatos até de agressão física aos profissionais. "O certo seria entregar as correspondências todos os dias, mas em alguns lugares, como Caucaia (região metropolitana de Fortaleza), a entrega é feita apenas uma vez por semana. Nem com as 10 horas de trabalho por dia isso tem sido possível", conta Veridiano Matos Dias, coordenador de Finanças, Patrimônio e Assuntos Econômicos do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa dos Correios e Telégrafos do Ceará (Sintect).

Segundo Dias, na semana passada uma funcionária foi agredida na rua por uma senhora, irritada com o atraso na conta. "O clima nas ruas é muito hostil e muitos trabalhadores acabam se afastando por problemas de saúde". Para ele, parte do problema está no fato de os Correios, da diretoria às superintendências estaduais, serem usadas para acomodar indicados políticos. "Só pessoas qualificadas teriam condições de planejar o dia a dia da empresa, não os apadrinhados", critica.

No Rio Grande do Norte a situação é a mesma. Francisco Moacir Soares, presidente do Sintect, conta que Natal, Mossoró e Parnamirim são as cidades que mais sofrem com a falta de mão de obra e os atrasos no serviço. "O carteiro passa hoje e depois só daqui a oito dias. Se ele fazia a distribuição em um distrito, agora tem de atender a três, até quatro", diz.

"Os carteiros são vítimas de violência porque as pessoas acham que os trabalhadores estão fazendo corpo mole. Foi-se o tempo que a profissão era citada até em música e livros. Agora estamos mais para crônica policial. Sofremos com uma estrutura apodrecida, falida", comenta Soares.

O Estado do Rio de Janeiro apresenta quadro semelhante, como conta Henrique José dos Santos, o Shaolin, diretor do Sintect-RJ. "O atraso na entrega das encomendas é um problema nacional, culpa da direção da empresa. Os Correios foram esvaziados com o passar do tempo e hoje sofre com a falta de contingente. O atraso é de, em média, uma semana", relata.

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