Lee Jin-man/AP Photo
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Mercados internacionais fecham sem sinal único, mas chance de vacina ainda anima

Investidores estão otimistas desde a sexta-feira, quando a Pfizer e a BioNTech entraram com pedido de uso emergencial do imunizante junto à americana FDA (equivalente à brasileira Anvisa)

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2020 | 07h30
Atualizado 23 de novembro de 2020 | 19h27

As Bolsas da Ásia e da Europa terminaram a sessão desta segunda-feira, 23, sem sentido único, com fatores internos que ajudaram a segurar os ganhos dos mercados. No entanto, os investidores continuam animados e otimistas quanto à possibilidade de uma vacina contra o coronavírus, a medida que os imunizantes parecem mostrar resultados cada vez mais positivos. Diante desta notícia, as Bolsas de Nova York fecharam em alta.

Os mercados ecoam o relativo otimismo visto desde a sexta-feira, quando a Pfizer e a BioNTech entraram com pedido de uso emergencial do imunizante junto à americana FDA (equivalente à brasileira Anvisa). A notícia animou as Bolsas da Europa naquela sessão e conteve as baixas em Wall Street, onde algumas dúvidas sobre a continuidade de estímulos alimentou a realização de lucros.

Ao longo do fim de semana, o noticiário sobre a vacina ganhou ainda mais tração. O chefe da Operação Warp Speed, Moncef Slaoui, que coordena os esforços dos Estados Unidos em torno de uma vacina contra a covid-19, afirmou que as primeiras doses podem ser aplicadas no país a partir de 12 de dezembro.

Ainda hoje, a AstraZeneca informou que sua vacina contra a covid-19 apresentou, em média, 70% de eficácia e, em alguns casos, de 90%

Bolsas da Ásia 

Na Bolsa de Seul, o índice Kospi teve salto de 1,92%. Destaque para ações de farmacêuticas, ajudadas por parcerias com o governo local para conter o avanço da covid-19 e desenvolver uma vacina. O papel da Jeil Pharmaceutical saltou 19,44%.

Na China, a Bolsa de Xangai subiu 1,09% e a de Shenzhen teve alta de 0,54%. A Bolsa de Hong Kong terminou com ganho de 0,13%. No Pacífico, a Bolsa de Sydney avançou 0,34% e a de Wellington saltou 0,48%. 

Bolsas da Europa 

O ânimo dos mercados com a perspectiva de aprovação de uma vacina foi em boa parte minado pelos resultados do PMI da zona do euro de novembro. Segundo o IHS Market, o indicador baixou de 50 pontos em outubro a 45,1 neste mês, em seu menor nível dos últimos seis meses por conta da pandemia. A projeção de analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal era de queda menor, a 47,1. Índices abaixo de 50 indicam retração na atividade.

Nesse cenário, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com variação negativa de 0,20%. Com a esperança de que uma vacina seja aprovada em breve, o setores de aviação e turismo deram algum fôlego ao índice. A Rolls Royce Holdings e a alemã TUI subiram 7,60% e 7,85%, respectivamente. Londres também perdeu 0,28%, Frankfurt caiu 0,08% e Paris cedeu 0,07%. Milão e Madri caíram 0,02% e 0,04% cada, enquanto Lisboa foi a única bolsa a subir, com ganho de 0,57%.

Bolsas de Nova York

Além da vacina para a covid, a notícia de que Joe Biden deve indicar a ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Janet Yellen como secretária do Tesouro. A ex-banqueira central já sinalizou que defende a necessidade de uma nova rodada de estímulos fiscais para aquecer a maior economia do planeta.

Se confirmada pelo Senado, Yellen será a primeira mulher a chefiar o Departamento do Tesouro americano. Com bom trânsito em Washington, a economista não deve encontrar dificuldades para angariar apoio de parlamentares, já que em sua confirmação ao Fed, em 2014, conquistou 11 votos republicanos, mesmo tendo sido indicada pelo democrata Barack Obama.

Em resposta, o Dow Jones fechou em alta de 1,12%, o S&P 500, de 0,56% e o Nasdaq, de 0,22%. Pela manhã, as ações de tecnologia caíam fortemente, com perspectiva para o fim do isolamento social, mas reduziram as perdas e, no fim, Facebook cedeu 0,47% e Microsoft caiu 0,13%.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, seguindo otimismo do mercado por uma retomada econômica impulsionada pela vacina contra a covid-19. Além disso, há crescente expectativa de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, junto com aliados (Opep+), realize cortes na produção.

O petróleo WTI para janeiro fechou em alta de 1,51%, a US$ 43,06 o barril. Já o Brent para igual mês encerrou as negociações com avanço 2,45%, cotado a US$ 46,06 o barril. O Commerzbank aponta que o Brent atingiu o maior valor desde o começo de setembro, ultrapassando a barreira dos US$ 46. 

"O mercado espera que a Opep e seus aliados (Opep +) concordem na próxima semana em estender os atuais cortes de produção para além do final do ano", aponta o Commerzbank. "Parece que as tensões dentro da Opep + diminuíram novamente depois que os Emirados Árabes Unidos enfatizaram seu compromisso de cooperar com a aliança", aponta o banco, em referência ao país que nas últimas semanas vinha demonstrando reticências sobre prolongar cortes na produção./ COLABORARAM MAIARA SANTIAGO E MATHEUS ANDRADE

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