Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Com otimismo no exterior, Bolsa avança aos 113 mil pontos e dólar recua a R$ 5,12

Expectativa que o Congresso americano aprove novas medidas de estímulo ajudou nos negócios nesta sexta; fluxo estrangeiro elevado da B3 também animou

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 10h21
Atualizado 04 de dezembro de 2020 | 19h35

A possibilidade dos Estados Unidos conseguirem aprovar novas medidas de estímulo para a economia apoiou o resultado positivo dos ativos brasileiros nesta sexta-feira, 4. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com ganho de 1,30%, aos 113.750,22 pontos, enquanto o dólar teve queda de 0,30%, a R$ 5,1246, após cair a R$ 5,11 na mínima do dia. Além dos bons ventos do exterior, a entrada de capital estrangeiro na B3 também apoiou os negócios.

O mercado vê com otimismo a chance do Congresso americano aprovar a proposta de estímulos de US$ 908 bilhões revelada por um grupo de parlamentares democratas e republicanos no começo desta semana. A possibilidade de um novo pacote fiscal nos EUA mexe com os mercados porque a expectativa é de que, com mais dinheiro circulando no país, a economia ganhará mais força. E a chance de aprovação ganhou ainda mais força após Joe Biden, Donald Trump e a presidente da Câmara americana, Nancy Pelosi, apoiarem a proposta.

Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram ganhos mais contidos de 0,83%, 0,88% e 0,70%. Mesmo assim, todos os três índices encerraram o dia com novos recordes de fechamento. No Ibovespa, além da chance de mais incentivos nos EUA, as ações ligadas a commodities - diante do rali do minério de ferro e menor produção diária de petróleo - contribuíram muito para a sustentação do índice. Os papéis ordinários da Vale subiram 3,82% e da Petrobrás, 3,31%.

Do ponto de vista fiscal, há uma percepção um tanto quanto positiva com relação ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), uma vez que se entende que eles já estão 'sintonizados' com as pautas - leia-se reformas - já em andamento.

No meio da tarde, operadores relataram a entrada de fluxo externo para a Bolsa, o que ajudou no bom desempenho do real no final do pregão. De acordo com a B3, nos dois pregões de dezembro, os ingressos já somam R$ 1,451 bilhão, resultado de compras de R$ 34,808 bilhões e vendas de R$ 33,356 bilhões. Mas, no acumulado de 2020, os estrangeiros retiraram R$ 50,112 bilhões do mercado acionário brasileiro.

Com os resultados de hoje, o Ibovespa termina a semana comganho de 2,94%, além de acumular valorização de 4,38% na semana. No ano, as perdas são de apenas 1,64%. Hoje, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, termômetro do riscopaís,

caiu a 152 pontos hoje, no menor nível desde o início de março.

Câmbio

O dólar termina com desvalorização de 3,8% na semana, a terceira seguida de perdas para a moeda americana ante o real e a maioria das divisas mundiais. A crescente expectativa por um acordo em Washington para um pacote de estimulo fiscal, reforçada hoje pelos dados abaixo previsto do mercado de trabalho americano em novembro, fez o dólar testar novas mínimas mundiais esta semana, com algumas moedas, como o franco suíço, caindo ao menor nível em 5 anos. A entrada de capital estrangeiro na Bolsa também ajudou a moeda. Hoje, o dólar para janeiro terminou com alta de 0,05%, a R$ 5,1555.

Nos EUA, o relatório de emprego do Departamento de Trabalho, o chamado Payroll, mostrou que os EUA geraram 245 mil novas vagas em novembro, frustrando a expectativa dos analistas de 450 mil novos postos no mês. Por outro lado, a taxa de desemprego caiu de 6,9% em outubro para 6,7% em novembro, para além da expectativa de baixa de 6,8%. O dado ajudou a dar certo ânimo ao mercado e reforçou o otimismo com a retomada da economia mundial em 2021.

Por aqui, apesar da queda nas últimas semanas, no ano, porém, o dólar ainda acumula alta de 28% ante o real. O Banco Mizuho calcula que o real continua subvalorizado em relação ao dólar em cerca de 6,70%. O estrategista-chefe do Mizuho, Luciano Rostagno, comenta, em nota, que a explicação para esse desempenho fraco do real é a "posição fiscal frágil do Brasil". Se a agenda de reformas andar, ele prevê valorização da moeda brasileira, com o dólar encerrando 2021 a R$ 4,90./ SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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