Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Com otimismo nos EUA sobre pacote fiscal, mercados internacionais fecham em alta

Secretária do Tesouro, Janet Yellen, voltou a defender a proposta trilionária de incentivo proposta por Joe Biden e minimizou os impactos na inflação

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2021 | 07h30
Atualizado 08 de fevereiro de 2021 | 20h10

Os principais índices do exterior fecharam em alta nesta segunda-feira, 8, em meio a expectativas de que os Estados Unidos aprovem um novo pacote fiscal e crescente otimismo sobre a recuperação da economia global. Além disso, a nova sequência de altas das Bolsas de Nova York, que voltaram a fechar com ganhos hoje, também animou os investidores.

O mercado renova apostas de que o pacote fiscal da Casa Branca, na ordem de US$ 1,9 trilhão, sairá do papel e terá efeito positivo sobre a recuperação econômica. Ontem, a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, voltou a defender a medida de estímulo e minimizou os impactos na inflação. "E precisamos disso o quanto antes", afirmou, em entrevista à CNN. "Alta da inflação é um risco a considerar, mas temos ferramentas para lidar com esse problema", acrescentou, tirando força de uma crítica comum ao pacote fiscal de Biden - seus reflexos nos preços ao consumidor. 

No fim da semana passada, o Congresso americano aprovou resoluções que facilitam a tramitação do pacote trilionário do presidente dos EUA, Joe Biden, permitindo sua aprovação por maioria simples no Senado, onde os democratas têm 51 de 100 votos. A expectativa é que Biden retome negociações sobre novos incentivos fiscais com parlamentares nesta semana.

Analistas também esperam que a economia mundial volte a crescer este ano, após contrair em 2020 em meio à pandemia de covid-19. Países asiáticos dependentes de exportações, como Japão, Coreia do Sul e China, deverão ser fortemente beneficiados por uma recuperação.

Diante do apetite por risco, ficaram em segundo plano notícias de que a China emitiu novas diretrizes antimonopólio, endurecendo restrições às plataformas de internet do país, e sobre uma queda nas reservas cambiais do gigante asiático.

Bolsas de Nova York

Nova York manteve a trajetória de alta e subiu, com a chance de mais estímulos. Dow Jones fechou em alta de 0,76%, o S&P 500 avançou 0,74% e o Nasdaq registrou ganhode 0,95%. Os três bateram recordes de fechamento. Como resultado da possibilidade  de ajuda, ações de companhias do setor tiveram importantes altas. American Airlines subiu 3,37% e Delta Air Lines, 5,08%.

Bolsas da Ásia 

A Bolsa de Tóquio subiu 2,12%, atingindo o maior nível desde agosto de 1990, enquanto a Bolsa de Hong Kong teve modesta alta de 0,11%. As chinesas XangaiShenzhen subiram 1,03% e 1,21% cada. Em Taiwan, o mercado local não operou devido a um feriado. Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu o tom majoritário na Ásia e avançou 0,59% em Sydney

Já a Bolsa de Seul caiu 0,94% nesta segunda, após papéis da Hyundai e de sua afiliada Kia sofrerem tombos de 6,2% e 14,98%, respectivamente. Em comunicados, as montadoras disseram que "não estão em conversas sobre o desenvolvimento" de carros autônomos com a Apple, como chegou a ser divulgado na semana passada. 

Bolsas da Europa 

Também otimista ante a chance de mais estímulos nos EUA, os mercados da Europa fecharam em alta, com o Stoxx 600 em alta de 0,30%. A Bolsa de Londres subiu 0,53%, a de Paris, 0,47% e a de Frankfurt, 0,02%. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 1,48%, 0,05% e 0,27% cada.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, seguindo a tendência de ganhos da última semana. Dentre os fatores que impulsionam o valor da commodity, está o cumprimento nos cortes por parte de produtores, a possibilidade de novos estímulos fiscais nos Estados Unidos, a perspectiva de recuperação global da crise por conta da covid-19, e a dúvida sobre um novo acordo entre EUA e Irã. O conjunto de fatores levou o preço do barril ao maior valor em um ano, com o Brent retomando hoje o patamar simbólico de US$ 60. 

WTI para março encerrou a sessão com ganho de 1,97%, a US$ 58,97 o barril, enquanto o Brent para abril avançou 2,06%, a US$ 60,56 o barril. O Commerzbank aponta que ambos os barris atingiram hoje seu maior valor em um ano. O cumprimento nos cortes da produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) também segue impulsionando os preços da commodity./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER, MATHEUS ANDRADE, SERGIO CALDAS

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