Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Com pacote de Bush, déficit fiscal americano vai subir de novo

Orçamento prevê que rombo nas contas públicas saltará de US$ 162 bi em 2007 para US$ 410 bi em 2009

Agências Internacionais, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

O pacote do governo George W. Bush para estimular a economia dos Estados Unidos contribuirá para que o déficit fiscal supere US$ 400 bilhões no ano fiscal que começa em outubro e termina em setembro de 2009. O número consta da proposta de orçamento apresentada ontem pelo presidente americano. O projeto que Bush enviou ao Congresso envolve, pela primeira vez na história, mais de US$ 3 trilhões (serão US$ 3,1 trilhões, ante US$ 2,9 trilhões no exercício anterior). O déficit total estimado pelo Executivo é de US$ 410 bilhões, ante US$ 407 bilhões no exercício 2008 e US$ 162 bilhões em 2007. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o buraco nas contas pula de 1,2% em 2007 para 2,9% em 2008 e 2,7% em 2009. No dia 25 de janeiro, o governo Bush lançou uma série de medidas, num total de US$ 146 bilhões, para tentar evitar que o país entre em recessão. Os dois pilares do plano são isenções fiscais para empresas e abatimentos tributários para pessoas físicas. O pacote já foi aprovado pela Câmara dos Representantes, mas depende do aval dos senadores para entrar em vigor. O problema é que o Comitê de Finanças do Senado, presidido pelo democrata Max Baucus (Montana), aprovou um plano alternativo de US$ 157 bilhões. Nesta semana, o plenário da Casa deve analisar as duas propostas. Como os democratas são maioria, é possível que a idéia alternativa - e mais cara - seja encampada, o que elevaria ainda mais o déficit fiscal. "Nosso orçamento protege os Estados Unidos e dá um alento para o crescimento econômico. O Congresso deve aprová-lo", afirmou Bush, durante uma reunião em seu gabinete para discutir o assunto. Além do pacote de estímulo econômico, os valores destinados ao Departamento de Defesa terão peso importante no déficit esperado para o ano fiscal de 2009. O orçamento prevê US$ 515 bilhões para o Pentágono, 7,5% a mais do que em 2008 e 74% superior a 2001, quando Bush assumiu a presidência. Especificamente para as guerras do Iraque e do Afeganistão, o Executivo americano prevê gastos de US$ 70 bilhões. O valor, porém, foi considerado irreal por políticos democratas. Após as críticas, a própria porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, admitiu que o custo das guerras "certamente" será maior do que US$ 70 bilhões. Quando Bush tomou posse, os EUA vinham de um período de superávits fiscais. Mas o republicano adotou programas de redução de impostos para estimular a economia, que em 2001 enfrentou sua última recessão, e investiu pesadamente em sua "guerra contra o terror". O buraco nas contas públicas cresceu fortemente até atingir o recorde de US$ 413 bilhões em 2004. De lá para cá, encolheu progressivamente. A volta da trajetória ascendente foi criticada por democratas. "O orçamento apresentado hoje (ontem) sintetiza as marcas da era Bush: traz mais déficit, mais dívida, mais abatimentos tributários e mais cortes em serviços críticos", comentou o presidente do Comitê de Orçamento da Câmara dos Representantes, John Spratt. No plano apresentado ontem, a Casa Branca prometeu equilibrar o orçamento em 2012, o que provocou dúvidas até mesmo entre republicanos. "Eles (o governo) obviamente usaram números exagerados para fazê-lo (o orçamento) parecer melhor", comentou o senador Judd Gregg, principal representante republicano no Comitê de Orçamento. Este ano, o governo imprimiu menos cópias do orçamento para enviar a congressistas e à mídia. A Casa Branca colocou o documento na internet para economizar custos. Democratas ironizaram a medida e a atribuíram à escassez de tinta vermelha, que sinaliza contas deficitárias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.