Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Com pandemia, BNDES avalia prorrogar suspensão de pagamento de dívidas

Segundo proposta em estudo no banco de fomento, novo prazo valeria apenas para os setores mais afetados pela crise, como as operadoras privadas de aeroportos, por exemplo

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2020 | 05h00

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda a prorrogação da suspensão temporária das cobranças dos pagamentos de dívidas, uma das primeiras medidas anunciadas para mitigar a crise causada pela covid-19, ainda no fim de março. A suspensão das cobranças – conhecida no setor financeiro como “standstill” – foi concedida por seis meses, portanto, o prazo termina daqui a uma semana, no fim do mês. A ideia é prorrogar a suspensão apenas para os setores econômicos mais atingidos pela crise, como as operadoras privadas de aeroportos, disse uma fonte que acompanha as discussões e pediu para não se identificar.

No fim do mês passado, em balanço sobre as medidas adotadas desde março, o BNDES informou que, com o “standstill”, deixou de cobrar R$ 12,4 bilhões do setor privado. Foram beneficiadas 28,5 mil médias, pequenas e microempresas e 492 grandes empresas. O banco de fomento deixou de receber outros R$ 3,9 bilhões em dívidas devidas por Estados e municípios. Procurado, o BNDES não comentou sobre a possibilidade de prorrogação.

As operadoras privadas de aeroportos são candidatas naturais a serem contempladas com a medida porque o transporte aéreo foi uma das atividades mais castigadas pela pandemia. Em palestra num seminário transmitido pela internet no mês passado, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, já havia dito que o banco estava discutindo uma “segunda pernada” na suspensão de pagamentos para setores que precisam de “tratamentos secundários”, e citou especificamente os aeroportos.

Setor a setor

Segundo a fonte ouvida pelo Estadão/Broadcast, a avaliação do BNDES será setor a setor. Uma prorrogação ampla e irrestrita da suspensão, como adotada no fim de março, é considerada “pouco provável”. Além das operadoras privadas de aeroportos, as concessionárias de transporte público, cuja demanda de passageiros também tombou em meio à pandemia, são candidatas a ganhar mais prazo na suspensão dos pagamentos.

Nem mesmo para as empresas de menor porte deverá haver prorrogação irrestrita. A avaliação interna do BNDES é que não necessariamente essa seria a melhor forma de continuar dando um alívio para os pequenos negócios. Outras medidas adotadas pelo governo na área de crédito, como o Pronampe, operado pelo Banco do Brasil (BB), e o Peac, operado pelo BNDES, trouxeram opções de empréstimos com juros menores do que os cobrados em financiamentos antigos.

“É melhor tomar crédito novo ou postergar o crédito cujas taxas são lá de trás?”, questionou a fonte ouvida. 

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