Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com pandemia, Dia das Mães perde relevância no varejo paulista

Materiais de construção devem sustentar as vendas de maio, aponta Fecomércio-SP

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 15h35

Pelo segundo ano seguido, o Dia das Mães, tradicionalmente o “Natal do primeiro semestre” para os comerciantes, por causa do grande volume de vendas, deve perder relevância no varejo paulista, o principal mercado consumidor do País. As vendas do comércio em maio devem somar R$ 57,7 bilhões , com crescimento de 2,5% ante 2020, depois do tombo de 13,3% registrado no ano anterior, nas contas da Federação do Comércio do Estado De São Paulo (Fecomércio-SP).

Esse pequeno crescimento, que não repõe as perdas de maio de 2020, será sustentado basicamente pelas vendas de materiais de construção, com avanço de 22,8%. “Esse setor não tem nada a ver com a data”, afirma o assessor econômico da Fecomércio-SP, Altamiro Carvalho, responsável pela projeções. Ele frisa que a data foi praticamente anulada este ano para a compra de itens ligados ao Dia das Mães, como eletroeletrônicos, por exemplo. Esse segmento devem registrar, nos seus cálculos,  um recuo de 8,2% no faturamento.

Numericamente, as vendas do varejo em maio só não serão negativas ante as de 2020 por causa do pagamento do auxílio emergencial, observa o economista. Neste mês, R$ 1,54 bilhão devem ser injetados no varejo do Estado de São Paulo por causa no benefício. E, como a propensão a gastar esse dinheiro é muito alta de quem o recebe, rapidamente ele se transforma em vendas  do varejo. “Sem o auxílio, o faturamento do Dia das Mães ficaria estável”, observa.

Recorte

O faturamento das lojas que comercializam itens ligados à data, como eletroeletrônicos, farmácias e perfumarias, móveis e decoração artigos de vestuário e supermercados deve atingir neste mês R$ 35,5 bilhões, segundo o estudo. O resultado é 3,1% menor do que o registrado em maio de 2020 e 4,8% aquém do obtido em 2019, quando não havia pandemia.

Das cinco atividades listadas nas projeções da entidade, é esperado crescimento de vendas em relação ao ano passado apenas para as farmácias e perfumarias e lojas de artigos de vestuário, com avanços de 0,9% e 12,6%, respectivamente.

Na comparação com o Dia das Mães de 2019, o único segmento que deve avançar neste ano é o de supermercados, com alta de 15,5% nas vendas. De acordo com a entidade, esse crescimento reflete a injeção de recursos por causa do pagamento do auxílio emergencial. Mesmo que uma cifra bem menor neste ano, em média, de R$ 250 ante R$ 600 em 2020, o benefício deve ser destinado às compras de alimentos e itens básicos.

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