Rafael Neddermeyer/Agência Estado
Rafael Neddermeyer/Agência Estado

Com pandemia, investimento estrangeiro direto no Brasil cai para menos da metade de 2019

Segundo o Banco Central, total acumulado de janeiro a outubro foi de US$ 31,9 bilhões ante US$ 69,2 bilhões no mesmo período do ano passado

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2020 | 10h39

BRASÍLIA - Em um ambiente de incertezas sobre o futuro do Brasil, na esteira da pandemia do novo coronavírus, os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram de janeiro a outubro US$ 31,9 bilhões, menos da metade dos US$ 69,2 bilhões que ingressaram no mesmo período do ano passado. 

Somente em outubro, ingressaram US$ 1,8 bilhão de investimento feito por estrangeiros no setor produtivo, informou nesta quarta-feira, 25, o Banco Central. No mesmo período do ano passado, o montante havia sido de US$ 8,2 bilhões. 

O IDP engloba investimentos mais duradouros no País, como em uma nova fábrica ou ampliação da capacidade de uma instalação já existente no país. 

A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 50 bilhões em 2020. Este valor foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI). 

Em setembro, em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro disse que os investimentos diretos no País aumentaram no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2019. "Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo", afirmou a outros líderes mundiais. 

Os números do próprio BC, no entanto, o desmentem. O Brasil registrou no primeiro semestre de 2020 um total de US$ 25,3 bilhões de IDP, valor inferior aos US$ 32,2 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. 

No acumulado dos 12 meses até outubro deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 43,5 bilhões, o que representa 2,94% do Produto Interno Bruto (PIB)

Contas externas têm resultado positivo pelo sétimo mês seguido

O resultado das transações correntes do País com outros países ficou positivo pelo sétimo mês seguido e fechou em US$ 1,473 bilhão. Este é o segundo melhor resultado para meses de outubro na série histórica do BC, iniciada em janeiro de 1995. Em outubro de 2006, o superávit havia sido um pouco maior, de US$ 1,495 bilhão. 

Os dados refletem os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que a partir de março se intensificou no Brasil, reduzindo o volume de importações de produtos. A autarquia projetava para o mês passado superávit de US$ 1,2 bilhão na conta corrente. 

O resultado de transações correntes, um dos principais do setor externo do país, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior). 

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 4,814 bilhões em outubro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,637 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 1,859 bilhão. No caso da conta financeira, o resultado ficou positivo em US$ 1,446 bilhão. 

No acumulado do ano até outubro, o rombo nas contas externas soma US$ 7,588 bilhões. A estimativa atual do BC é de déficit em conta corrente de US$ 10,2 bilhões em 2020. O cálculo foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Nos 12 meses até outubro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 15,347 bilhões, o que representa 1,04% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o menor porcentual desde fevereiro de 2018 (0,97%).

Gastos de brasileiros no exterior

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 284 milhões em outubro. Na comparação com o mesmo mês de 2019, quando as despesas em outros países totalizaram US$ 1,506 bilhão, a queda foi de 81%. 

A forte queda acontece em meio à disparada do dólar e às restrições provocadas pela pandemia do novo coronavírus, que resultou no fechamento de fronteiras e na suspensão de voos. 

A moeda norte-americana tem registrado forte alta neste ano devido à pandemia, com os investidores avaliando o impacto do pacote de estímulo nas contas públicas - que vêm registrando forte deterioração. De janeiro a outubro, a alta do dólar acumulada foi de 43%. 

Com a disparada do dólar, as viagens de brasileiros ao exterior ficam mais caras. Isso porque as passagens e as despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira. 

No acumulado dos dez primeiros meses deste ano, ainda segundo informações do Banco Central, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 4,695 bilhões. 

Na comparação com o mesmo período de 2019, quando as despesas no exterior totalizaram US$ 14,849 bilhões, a queda foi de 68,4%. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.