Divulgação
Divulgação

portfólio

E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Com pandemia, produtora de fertilizantes Yara adia projetos e vê mercado menor

No Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre (MG), onde uma mina de fosfato permitirá que deixe de importar o insumo para produção de adubos fosfatados, as atividades estão suspensas

Coluna do Broad Agro, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2020 | 05h00

A Yara, uma das maiores produtoras de fertilizantes do mundo, teve de adiar seus dois maiores projetos no Brasil por causa do coronavírus. No Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre (MG), onde uma mina de fosfato permitirá que deixe de importar o insumo para produção de adubos fosfatados, as atividades estão suspensas e devem ser retomadas em três a seis meses, conta à coluna Lair Hanzen, presidente no Brasil.

A empresa já desembolsou quase metade do investimento total, de R$ 2,6 bilhões, e a maior parte do que resta será liberada só no ano que vem. Com o atraso, a conclusão da última fase do projeto – produzir o adubo final – ficará para os últimos meses de 2021. “Em Salitre, 80% do pessoal é de fora do Estado e as empresas contratadas tiveram de fazer demissões”, explica Hanzen. Além do complexo mineiro, a Yara teve de postergar a duplicação e modernização do Complexo de Rio Grande (RS), onde também produz adubos fosfatados. As obras foram interrompidas por três semanas e retomadas na semana passada, mas a conclusão, prevista para o terceiro trimestre, deve ocorrer apenas no quarto trimestre.

No bolso

As consequências da pandemia devem ser notadas nas entregas de fertilizantes ao mercado, alerta Hanzen. A perspectiva é de queda de 2% a 3% ante a previsão inicial de estabilidade ou leve crescimento em relação a 2019. “Com os setores de cana, algodão e hortifrúti sofrendo com a pandemia e a seca no Sul, o mercado será menor”, diz. Conforme a associação nacional de adubos (Anda), consultorias privadas estimam que foram entregues no ano passado de 36,2 milhões a 37,3 milhões de toneladas, 2% a 5% acima do volume de 2018. 

Surfa na onda

Moinhos brasileiros de trigo calculam aumento de 25% nas vendas de farinha especial para uso caseiro desde a segunda quinzena de março, quando começou o isolamento social. Já as vendas de farinha para panificação, usada por padarias, caíram em torno de 15% no período.

Cresce aqui...

Indústrias de biscoitos, massas, pães e bolos também têm resultados positivos. Em março, foram comercializadas 40 mil toneladas a mais desses produtos, alta de 15%, estima a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi). “Consumidores optam por produtos de menor valor agregado e de embalagens grandes”, conta Cláudio Zanão, presidente executivo da Abimapi. No período, a receita dos fabricantes aumentou cerca de 10%.

...cai ali.

Em compensação, as padarias buscam administrar uma queda de 40% no faturamento, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). “Apesar do aumento no gasto médio dos consumidores em cada compra, as idas aos estabelecimentos caíram e o faturamento recuou”, conta José Batista de Oliveira, presidente da entidade. Segundo o executivo, os pães industrializados estão na preferência do consumidor, porque duram mais.

Manda para cá

A startup financeira Giro.Tech vê aumento da demanda de pequenos e médios fornecedores do setor agropecuário por antecipação de recebíveis com a crise do coronavírus. No ano passado, antecipou R$ 55 milhões em recebíveis e pretende alcançar R$ 300 milhões em 2020, sendo dois terços para o agro. “Com a crise, essa se torna uma solução importante para manter o fornecedor”, afirma Ronaldo Oliveira, CEO da fintech. 

Pleito

Flávio Turra, gerente técnico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), reforça a importância de o Plano Safra 2020/21 prever mais recursos para o setor, dado o momento de aversão ao risco no sistema financeiro. “Além de seletivo, o crédito está caro”, afirma. O setor agropecuário paranaense pede R$ 251 bilhões para o ciclo que começa em julho e vai até junho de 2021.

Tempo extra

Atento a impactos do coronavírus sobre o setor agropecuário, o Sicredi já prorrogou 2.192 operações de crédito rural desde o dia 20 de março – sendo 71% para pequenos e médios produtores, conta Gustavo Freitas, diretor executivo de Crédito. A demanda veio das atividades leiteira e de hortifrutigranjeiros, mais afetadas por dificuldades de logística, mas também de agricultores que tiveram perdas por estiagem no Rio Grande do Sul. 

À espera

O apetite por linhas de investimento diminuiu com o cenário de incerteza, segundo o executivo. O adiamento de feiras agropecuárias, onde produtores costumam decidir onde investir, também contribuiu para esse movimento. Ainda assim, o Sicredi já liberou R$ 3,1 bilhões para operações de investimento no ano-safra 2019/20, ou 22,6% do crédito concedido no período.

Pé no freio

Os planos da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) de contar com um escritório na Ásia ficaram para depois. A sede em Cingapura seria aberta no fim de março, mas os representantes brasileiros não conseguiram chegar ao país, com a restrição de entrada de estrangeiros por causa do coronavírus. “Assim que liberarem a entrada, iniciaremos os trabalhos por lá. Esperamos que isso ocorra logo”, diz Júlio Cézar Busato, vice-presidente da Abrapa.  

 

CLARICE COUTO, LETICIA PAKULSKI e ISADORA DUARTE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.