Jose Vicente
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Com pedágios, férias em casa

900 km de estradas ganharam praças de cobrança

O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2015 | 02h03

Num esforço de garantir uma maior arrecadação ao Estado, Portugal decidiu não apenas elevar impostos desde 2008, mas também aumentar o valor do pedágio na rede de estradas que foi construída no país nos últimos 20 anos. O resultado: os carros desapareceram.

A elevação dos encargos começou a distorcer os custos de viagem. Hoje, quem viajar da capital Lisboa para a cidade do Porto vai gastar cerca de 36 em gasolina para percorrer os cerca de 300 quilômetros, e deixará outros 22 em pedágios.

Dados oficiais do Instituto de Infraestruturas Rodoviárias sobre a Rede Nacional de Autoestradas indicam que, em algumas das estradas, a redução de circulação foi de 50% apenas no ano de 2010, seguindo desde então quedas acima de 10%.

O efeito tem sido um número cada vez maior de pessoas e empresas buscando alternativas, seja pelas estradas secundárias deixadas pelo regime de Salazar ou simplesmente evitando viajar.

Portugal recebeu um pacote de ajuda de 78 bilhões da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar um colapso. Mas, em troca, adotou uma política de austeridade que transformou o país no "bom aluno" da Europa.

Entre os cidadãos, porém, essa decisão das autoridades significou mudar seu comportamento, até mesmo ao sair de férias ou se movimentar pelo país - 900 quilômetros de estradas que não tinham pedágios passaram a ter a cobrança.

No ano passado, as escolas identificaram uma alta no número de alunos que, em pleno período de férias de verão, frequentaram a escola uma vez por dia para se alimentar, enquanto os pais trabalhavam. Outra constatação é de que famílias têm usado cada vez mais os bônus ou subsídios de férias para pagar suas contas.

Segundo o Observador Cetelem, ligado ao Grupo BNP Paribas, cerca de 83% dos portugueses passaram as suas férias em Portugal em 2014.

Desse total, 57% passaram as férias no local de residência - ou seja, em casa. Desses, 45% admitiram fazê-lo por falta de disponibilidade financeira.

Já em 2012, a entidade Inrix, que monitora o fluxo de tráfego pelo mundo, constatou que Portugal era líder no que se refere à queda do trânsito nas estradas.

A redução apenas naquele ano havia sido de 44%. "Para onde vai o tráfego vai a economia", declarou Stuart Marks, vice-presidente da entidade.

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