Com Petrobras e juro menor nos EUA, Bolsa sobe 4,45%

Petrobras anuncia descoberta de gás e ações sobem mais de 10%. Nos EUA, bolsas caem

Agência Estado,

22 de janeiro de 2008 | 18h10

A alta das ações da Petrobras, motivada pela descoberta de uma reserva de gás na Bacia de Santos, e o corte inesperado de juros nos Estados Unidos fizeram com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuperasse parte das perdas acumuladas nos últimos dias. No final desta terça-feira, a Bolsa subia 4,45% para 56.097 pontos, acumulando ainda uma queda de 12,19% em janeiro. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobras subiram 10,59%. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) fecharam em alta de 9,76%. As incertezas com a economia americana e os impactos sobre os resultados das empresas levaram os investidores estrangeiros a retirar quase R$ 4 bilhões da Bovespa no início deste ano.   Veja também: Fed anuncia corte emergencial em juro dos EUA, para 3,5%Juro nos Estados Unidos deve cair mais no final do mês Turbulência nos mercados: entenda o nervosismo de hoje  Celso Ming comenta a crise no mercado financeiro  Mercados têm reação positiva ao corte do juro nos EUA   Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA    No mercado cambial, a moeda norte-americana encerrou o dia no patamar mínimo, cotada a R$ 1,7920, em baixa de 2,08%. E, no mercado de juros futuros, as taxas também caíram. Os contratos com taxas pós-fixadas (DIs) com vencimento em janeiro de 2010 recuaram de 12,99% ontem para 12,91%.  Em decisão inesperada, o banco central dos Estados Unidos (Fed) reduziu o juro básico do país de 4,25% ao ano para 3,5% ao ano. O corte, anunciado nesta terça-feira, 22, de 0,75 ponto porcentual, é a maior redução promovida pelo Fed desde 1984. Apesar disso, analistas consideram que o juro americano deve cair ainda mais na reunião mensal do Fed marcada para o dia 30 de janeiro. As apostas dividem-se em mais um corte de 0,25 ponto porcentual e 0,5 ponto porcentual. A decisão de hoje também foi a primeira emergencial desde os ataques terroristas de 2001. Contudo, a redução emergencial, anunciada sete dias antes da próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto, apenas serviu para ilustrar a situação de extrema instabilidade e desordem atual dos mercados. O corte não gerou nenhum consenso entre analistas, ministros e economistas sobre o impacto que terá no longo prazo. A redução, que veio associada a um corte da taxa do redesconto - empréstimo entre bancos -, também foi insuficiente para resgatar a normalidade e a oscilação prosseguiu como fio condutor das ações, moedas e outras classes de ativos. Até por isso, nos Estados Unidos, a reação das bolsas foi tímida. O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas em Nova York - caia 1,10% por volta das 18h. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - recuava 1,95%. Na Europa, depois de terem nesta segunda a maior queda desde o 11 de setembro, as bolsas fecharam em alta. Em Londres, a alta foi de 2,90%. Paris subiu 2,07%. Em Milão, a alta foi de 1%. Madri apresentou alta de 1,69%. E Lisboa, 1,3%.  Petrobras Na segunda, após o fechamento dos mercados, a Petrobras anunciou a descoberta de acumulações de gás natural abaixo da camada de sal na Bacia de Santos. As ações da empresa reagiram nesta terça e impulsionaram a alta da Bovespa. O mercado está na expectativa de mais descobertas na região, já que a Petrobras está perfurando no momento os blocos BM-S-21 e BM-S-22, também próximos a Tupi. Alguns analistas já citaram perspectivas de que esta área tenha acumulações superiores a Tupi, devido à análise feita sobre mapas sísmicos da região.

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