Com PIB do 2º trimestre, mercado já cogita crescimento de até 1% em 2017

Com PIB do 2º trimestre, mercado já cogita crescimento de até 1% em 2017

Após divulgação do IBGE, instituições se mostraram otimistas e revisaram para cima projeção de PIB para o ano

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 15h02

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A divulgação de um Produto Interno Bruto (PIB) acima das expectativas no segundo trimestre gerou otimismo no mercado sobre o desempenho da atividade econômica e o fim da recessão, embora não tenha mudado a percepção de que a retomada da economia será lenta.

Logo após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciar que o PIB avançou 0,2% no segundo trimestre, quando a mediana das projeções de economistas apontava para estagnação, o Goldman Sachs aumentou sua previsão sobre o crescimento da economia brasileira neste ano de 0,7% para 0,9%. Instituições como o Itaú Unibanco, que projeta um PIB de 0,3%, e a consultoria Rosenberg, cuja previsão é de 0,7%, informaram que suas projeções ganharam viés de alta. Já há também quem não descarte uma surpresa, com crescimento de 1% em 2017.

O consumo das famílias, com alta de 1,4%, foi o motor do crescimento num trimestre que, comparativamente aos três primeiros meses do ano, não contou mais com o impacto positivo do agronegócio.

Os saques de contas inativas FGTS foram um primeiro indutor para a retomada do consumo após nove trimestres de baixa. A expectativa dos economistas é que esse movimento se consolide no restante do ano no embalo da queda tanto dos juros quanto da inflação, da melhora do mercado de trabalho, assim como das condições de crédito, e da desalavancagem das famílias - essa última um reflexo também atribuído, em parte, à injeção de recursos do fundo de garantia, que permitiu ao consumidor pagar dívidas e abrir espaços em seus orçamentos.

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Em entrevista ao Broadcast ao Vivo, o economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho, comentou que não se surpreenderá se o PIB deste ano ficar mais perto de 1%, ainda que sua projeção seja de 0,5%. Para a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara, o crescimento interanual de 0,3% mostrado pelo PIB do segundo trimestre indica que a economia brasileira já está em melhor nível que o de 2016 e que a força da recuperação é maior do que se esperava. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avaliou que o dado confirma que o País está superando a pior recessão da história.

A falta de reação nos investimentos, que caíram 0,7% na comparação trimestral, e dos gastos do governo, 0,9% inferiores aos do primeiro trimestre diante do cenário de crise fiscal, reforçam, no entanto, a tendência de recuperação apenas moderada da economia.

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"Ainda há alguns setores fragilizados, como a construção civil e investimentos, mas outros estão um pouco melhores, caso de serviços, que é puxado por comércio, e o consumo das famílias. A velocidade de retomada vai ganhar tração com o tempo", avaliou o economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, considerou que, sem retomada dos gastos públicos e dos investimentos, a expansão mostrada até agora pode ser mais um "voo de galinha" da economia brasileira. "Sem investimentos em capital e consumo do governo não há como sustentar o crescimento", disse Perfeito./Thaís Barcellos, Maria Regina Silva, André Ítalo Rocha, Eduardo Laguna e Eduardo Rodrigues

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