Com PIB maior, Mantega destaca melhora dos indicadores

A revisão da metodologia para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) apontou um crescimento econômico maior para o período de 2002 a 2005. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que isso deve provocar uma melhora dos indicadores feitos como proporção do PIB, como os indicadores de carga tributária, dívida pública, superávit primário, gastos públicos de educação e saúde e outros. Por outro lado, a má notícia foi a alteração da taxa de investimentos em relação ao PIB - Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Para se ter uma idéia, em 2005, dado mais recente disponível, a taxa passou de 19,9% para 16,3%.Pelos novos números do IBGE, a carga tributária de 2005 foi revisada e caiu de 37,4% para 33,7% do PIB em 2005. Em compensação, o superávit primário do setor público - arrecadação menos as despesas, exceto o pagamento de juros - em 2005 caiu, pela mesma razão, de 4,83% para 4,35% do PIB. "Temos algumas notícias boas e outras ruins", reconheceu. Para 2006, o ministro não quis fazer nenhuma projeção de quanto ficaria o resultado final com a nova metodologia do IBGE. Ele vai aguardar a divulgação, na próxima semana, do PIB de 2006, calculado já com base na nova metodologia. No ano passado, o superávit primário do setor público ficou em 4,33% do PIB, pelo cálculo antigo. A meta do superávit era de 4,25% do PIB para o ano passado. O fato é que, com as novas informações que foram incluídas na pesquisa do IBGE, descobriu-se que o PIB dos anos passados era maior do que se pensava e, assim, a base para o crescimento do ano passado, para este e o que se espera para os próximos também. O PIB de 2005 na série anterior era de R$ 1,997 trilhão e passou para R$ 2,148 trilhão. Como o total de tributos arrecadados, por exemplo, não se alterou, quando se divide isso pelo novo número do PIB, a carga tributária cai em relação aos números anteriores.Na outra ponta, o ministro comemorou a queda do déficit nominal - arrecadação menos as despesas, inclusive os juros - do setor público em 2005, de 3,18% para 2,96% do PIB. Outra boa notícia, segundo Mantega, foi a queda da dívida líquida do setor público, de 51,5% para 46,5% do PIB. "Ficamos mais próximos da condição de investment grade (investimento com baixo risco de crédito). Estamos tendo um crescimento maior, um déficit nominal menor, uma dívida mais baixa e a inflação sob controle", comemorou. De fato, as condições da dívida de um país são determinantes para que se chegue ao investment grade. Se o Brasil conseguir este patamar de avaliação, poderá ser o destino de muitos investimentos estrangeiros, que hoje não são feitos devido ao risco de crédito dos títulos da dívida do País.

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