Jacky Naegelen/Reuters
Jacky Naegelen/Reuters

Com PIB negativo no 1º trimestre, crescimento do Brasil do ano deve ficar em 0,8%, diz BNP Paribas

Em relação à inflação, a percepção do banco é de que o IPCA poderá encerrar o ano em 4%; a peste suína que fez a China reduzir em 30% sua produção pode ter efeitos sobre indicador de preços

Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 14h50

O BNP Paribas projeta um crescimento de 0,8% no PIB deste ano em relação a 2018. A expansão seria resultado de uma retração de 0,3% no primeiro trimestre, seguida por alta de 0,2% entre abril e junho.

"A partir do segundo semestre é que a atividade teria uma tração maior, crescendo 0,5% no terceiro trimestre e 0,7% no último quarto do ano", avalia o economista-chefe do BNP Paribas para América Latina, José Carlos Faria. Para 2020, a estimativa da instituição é de alta de 2,5%.

"Com a economia em retração no primeiro trimestre, o segundo trimestre poderá ter um desempenho enfraquecido, talvez até em estabilidade, diante dos indicadores disponíveis até o momento", declarou o economista em coletiva de imprensa pela internet nesta quarta-feira, 29.

Ela acredita que frustrações com o avanço da agenda de reformas no início do ano, assim como condições mais dura no cenário externo, pesaram sobre o ritmo da atividade econômica brasileira.

Em relação à taxa básica de juros, o banco projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá promover três cortes de 0,25 pontos-base até o fim deste ano. "Considerando o encaminhamento da reforma da Previdência, o BC deverá passar a cortar a Selic a partir de setembro, com a taxa encerrando o ano em 5,75%", comentou Faria.

O economista avalia que a reforma da Previdência proposta pelo governo deverá ser diluída em cerca de 50%, oferecendo uma economia entre R$ 500 bilhões e R$ 600 bilhões em dez anos. "Esperamos aprovação da reforma na Câmara em agosto, com votação no Senado em outubro", explicou.

Em relação à inflação, a percepção do BNP Paribas é de que o IPCA poderá encerrar o ano em 4,0%. Como fator de pressão, a peste suína que fez a China reduzir em 30% sua produção poderá ter efeitos sobre indicador de preços. "Este corte é equivalente a toda produção da Europa e provavelmente levará a um aumento das importações chinesas. Com a guerra comercial, a China deve importar mais carne do Brasil", disse Faria.

"É difícil estimar o impacto sobre os preços, até pela substituição de produtos e o efeito sobre preço de insumos (soja). Vemos um aumento de preços de carnes no Brasil entre 15% e 20%, com efeito de 0,5 ou 0,6 ponto porcentual, provavelmente dividido neste e no próximo ano", afirmou.

O cenário de câmbio do BNP Paribas, também considerando a aprovação de uma reforma diluída na Previdência, indica o real subvalorizado atualmente. "Com as contas externas confortáveis e uma reforma da Previdência, dólar pode fechar o ano cotado a R$ 3,50."

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