Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Mercados internacionais fecham sem sinal único de olho em novos casos do coronavírus

Possível segunda onda de contaminações derrubou as Bolsas da Ásia e da Europa; em Nova York, os índices fecharam em alta, salvos por anúncio feito pelo Fed

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 07h00
Atualizado 15 de junho de 2020 | 19h59

O estresse global em meio ao temor de uma nova onda de infecções do novo coronavírus derrubou os principais mercados do exterior nesta segunda-feira, 15, com Ásia Europa registrando quedas generalizadas. Nos Estados Unidosum anúncio do Federal Reserve (Fed, o BC americano), impediu que os índices também fechassem em baixa.

Nesta segunda, as atenções se voltaram para o aumento de novos casos do coronavírus na China e Estados Unidosem meio ao processo de reabertura de ambas as economias. As autoridades chinesas registraram 57 novos casos no fim de semana, sendo que 36 deles vieram de contaminações locais em Pequim. Já no último sábado, o país americano registrou um novo recorde diário de casos, com 25 mil infectados.

Contudo, além da preocupação com uma possível segunda onda de infecções, dados econômicos negativos pesaram na China e na Europa e frustraram as expectativas de uma retomada mais rápida pelos investidores locais.

Bolsas da Ásia e Oceania

Em maio, a produção industrial da China teve expansão anual de 4,4%, mas a previsão de analistas era de aumento de 5%. No mesmo período, as vendas no varejo caíram 2,8%, ante projeção de queda de 2%. Também decepcionaram os investimentos em ativos fixos, que recuaram 6,3% entre janeiro e maio em relação a igual período do ano passado. Neste caso, a projeção era de queda de 6%.

Com isso, o sul-coreano Kospi liderou as perdas, com um tombo de 4,76%, seguido pelo japonês Nikkei, que caiu 3,47%. Os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto recuaram 1,02% e 0,29%, respectivamente. Já o Hang Seng se desvalorizou 2,16% em Hong Kong e o Taiex registrou queda de 1,08% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana caiu 2,19% em Sydney.

Bolsas da Europa

Na zona do euro, as exportações registraram um tombo de 24,5% em abril ante março, e as importações sofreram retração de 13% no período. Com isso, o índice intercontinental Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,27%.

Com os dados negativos e temendo um novo avanço do coronavírus, a Bolsa de Londres caiu 0,66%, enquanto Frankfurt teve baixa de 0,32%. Em ParisMadri Lisboa, as quedas foram de 0,49%, 0,46% e 0,76%, respectivamente. A Bolsa de Milão foi a única que subiu, registrando ganho de 0,43%.

Bolsas de Nova York

A decisão do Federal Reserve (Fed, o BC americano), de começar a comprar títulos corporativos, em estímulo à liquidez do mercado e ao crédito para grandes empregadores, aliviou os índices nos EUA. Por lá, os mercados tinham uma sessão extremamente volátil, que melhorou apenas no final da tarde com o anúncio.

Dow Jones subiu 0,62%, o S&P 500 avançou 0,83% e o Nasdaq ganhou 1,43%, a 9.726,02 pontos. No entanto, por lá, os investidores seguem temerosos com o aumento dos casos da covid-19.

Petróleo

anúncio de compra de títulos corporativos feito pelo Fed aliviou a tensão no mercado de petróleo, que vinha de uma sessão extremamente volátil. Nesta segunda, a commodity também vinha sendo afetada pela possível segunda onda de contaminações do coronavírus, fator que compromete a demanda pelo ativo.

Com isso, o petróleo WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 2,37%, a US$ 37,12 o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 2,56%, a US$ 39,72 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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