Behrouz Mehri/AFP
Behrouz Mehri/AFP

Mercados internacionais fecham em alta com possível vitória de Joe Biden

Apuração parcial da eleição nos EUA mostra que o democrata já obteve 264 votos no colégio eleitoral, contra 214 do presidente Donald Trump; ao todo, são necessários 270 votos

Sergio Caldas e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 07h30
Atualizado 05 de novembro de 2020 | 20h03

As Bolsas da Ásia, Europa e Nova York fecharam em alta generalizada nesta quinta-feira, 5, diante de sinais de que o democrata Joe Biden poderá se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos, reduzindo as incertezas das eleições americanas e favorecendo o apetite por risco. 

A apuração parcial da eleição nos EUA mostra que Biden já obteve 264 votos no colégio eleitoral, contra 214 do presidente Donald Trump. Para conquistar a Casa Branca, são necessários 270 votos. O resultado da disputa, no entanto, depende ainda do fim do cômputo de votos em estados que costumam oscilar entre democratas e republicanos. Além disso, o Partido Republicano poderá manter o controle no Senado, tornando mais improvável um grande pacote fiscal em reação à covid-19.

Ainda sobre as eleições, a imprensa internacional noticiou que Trump perdeu na Justiça uma demanda para tentar parar a contagem de votos no Estado de Michigan. O presidente americano disse ainda que pretende entrar com pedidos de análise em todos os Estados no qual seu concorrente Joe Biden ganhou sob a alegação de fraude, o que pode arrastar os resultados por semanas. 

Enquanto o vencedor não é declarado, os mercados acompanham a apuração em estados decisivos. Resultados da Georgia, Nevada e Pensilvânia ainda são aguardados pelo mercado e podem sair já na próxima sexta-feira, 6.

Bolsas da Ásia 

O Hang Seng liderou os ganhos na Ásia, com salto de 3,25% em Hong Kong, em meio a expectativas de que as tensões entre EUA e China diminuam num eventual governo Biden. Entre os mercados chineses, o Xangai Composto subiu 1,30% e o Shenzhen Composto avançou 1,67%.

Em outras partes da região asiática, o japonês Nikkei se valorizou 1,73% em Tóquio, o sul-coreano Kospi teve expressivo ganho de 2,40% em Seul e o Taiex registrou alta de 0,40% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana acompanhou o tom positivo da Ásia, e o S&P/ASX 200 avançou 1,28% em Sydney.

Bolsas da Europa 

Além do clima favorável criado pelas eleições, também ajudou na alta das bolsas do velho continente, as indicações de que o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu permanecem engajados na concessão de estímulos para ajudar no pós-pandemia e devem continuar com as políticas de juros baixos. Também chamou atenção as encomendas à indústria da Alemanha, que subiram 0,5% em setembro ante agosto, o quinto mês consecutivo de recuperação, segundo dados com ajustes sazonais divulgados pela agência de estatísticas do país, a Destatis.

Por lá, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 2,05%, enquanto a bolsa de Londres, avançou 1,67%, a de Frankfurt subiu 1,95% e a de Paris teve ganho de 2,44%. Milão subiu 1,96%, enquanto Madri e Lisboa subiram ambas 0,45%. 

Bolsas de Nova York

Além das eleições nos EUA, o mercado monitorou de perto a decisão do Federal Reserve (Fed, o BC americano), que anunciou que vai manter os juros da economia entre 0% e 0,25% e reafirmar a sua postura dovish, ou seja, de mais estímulos, diante do quadro ainda modesto da economia americana. O presidente do banco central americano, Jerome Powell comentou que deve ser necessário mais apoio monetário e fiscal para os EUA, no quadro ainda de problemas causados pela pandemia da covid-19 e sem um fim claro para a crise  de saúde à vista.

O índice Dow Jones fechou em alta de 1,95%, o S&P 500 subiu também 1,95% e o Nasdaq avançou 2,59%. Entre os destaques de hoje, estiveram ações dos setores de tecnologia e serviços de comunicação, que podem se beneficiar diretamente do quadro político. Apple subiu 3,55%, Microsoft avançou 3,19% e Facebook, 2,54%..

Petróleo

petróleo fechou o pregão desta quinta-feira em baixa, em um movimento de correção de ganhos recentes, depois de ter registrado alta de quase 4% ontem. O foco dos investidores está na eleição presidencial americana, cujo vencedor ainda não foi definido. O WTI para dezembro caiu 0,92%, a US$ 38,79, enquanto o Brent para janeiro recuou 0,73%, a US$ 40,93 o barril.

Analistas do Swissquote Bank destacam que a commodity energética acumulou ganhos de 9% nas últimas três sessões, o que leva a uma realização de lucros. De acordo com os profissionais, a cada vez mais provável vitória de Biden nos EUA pode levar a mais baixas nos contratos de petróleo, se os democratas impulsionarem uma agenda focada em energias renováveis. No entanto, isso depende do controle do Senado, atualmente na mão dos republicanos./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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