Com prejuízo de R$ 74 milhões, ALL ameaça processar governo argentino

Empresa diz que teria lucro de R$ 218,7 milhões se não tivesse computado operação na Argentina

WLADIMIR DANDRADE, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 02h07

Depois de anunciar, ontem, um prejuízo de R$ 74,4 milhões no segundo trimestre - e creditar o mau desempenho às operações na Argentina-, a ALL informou que vai processar o governo do país vizinho pela reestatização. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Rodrigo Campos, a ALL quer uma indenização em razão do desequilíbrio financeiro provocado por decisões do governo argentino.

No início de junho, a presidente Cristina Kirchner rescindiu as concessões de duas linhas ferroviárias administradas pela empresa brasileira no país. De acordo com a companhia, sem computar as operações na Argentina, a ALL reportaria lucro líquido de R$ 218,7 milhões no primeiro semestre, alta de 28,6% sobre a primeira metade de 2012. Mas no consolidado dos seis primeiros meses do ano, acabou registrando um prejuízo de R$ 40,4 milhões.

"Estamos trabalhando juridicamente, mas a Justiça é o caminho. Houve desequilíbrio econômico financeiro causado por vários movimentos do governo no passado", afirmou Campos. A ALL, antes de perder os ativos, apresentava prejuízo nas suas operações argentinas.

O governo do país vizinho alega que a ALL cometeu "falta grave de cumprimento" dos contratos. "O foco da Argentina vai para o Brasil, até porque tem muita coisa acontecendo no País", disse Campos.

Portos. No mercado brasileiro, as atenções da ALL devem se voltar para as áreas dos portos em que ela já atua: Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco (SC) e Rio Grande (RS). Esse seria um caminho para aumentar o volume de carga movimentada e a produtividade em suas operações. "Porto pode ser uma oportunidade muito grande para a empresa", diz Campos.

O diretor da ALL afirmou que a empresa tem interesse em participar dos leilões do setor portuário planejados pelo governo para o fim do ano para buscar sinergias com suas operações ferroviárias.

Além de ganho em produtividade, o executivo explica que a concessão portuária poderá mitigar riscos operacionais da companhia. O balanço do segundo trimestre divulgado nesta ontem mostra que a empresa teve problemas para escoar a safra recorde de grãos 2012/2013 no País que, de acordo com o último dado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), chegará a 185 milhões de toneladas. O volume de carga transportado pela ALL recuou 0,2% no trimestre frente a igual período de 2012, para 11,3 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), medida utilizada pelo setor.

As horas que os vagões ficam parados no porto para descarregamento impactam as operações dos terminais de movimentação de carga e o movimento dos trens que seguem em direção ao litoral, uma reação em cadeia. "Quando o porto vai mal a operação toda sofre", disse o diretor da empresa de logística. A ALL ainda aguarda mais informações do governo sobre as áreas que serão licitadas. "Vamos olhar isso com carinho porque o porto tem sinergia grande com a ferrovia", afirmou.

Rondonópolis. A ALL também comunicou ontem ao mercado que obteve do Ibama licença de operação para o novo trecho ferroviário entre Rondonópolis e Itiquira, no Mato Grosso, e para o complexo intermodal da região. A empresa informou que os testes começarão imediatamente para que o novo trecho passe a operar dentro de sua capacidade ao longo de setembro.

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