Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

Na contramão de rivais, GM tem queda de produção em 2018

Líder do setor no País teve retração de 1,6% na produção no ano passado, enquanto Volks, Fiat, Ford e outras avançaram

André Ítalo Rocha e Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 18h11
Atualizado 07 de fevereiro de 2019 | 12h11

A General Motors (GM), que no mês passado ameaçou deixar de produzir no Brasil caso não voltasse a ter lucro na operação em 2019, foi a única das principais montadoras instaladas no País a ter queda na produção em 2018, mostra documento divulgado nesta quarta-feira, 6, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

No ano passado, as três fábricas de carros da GM no Brasil produziram 466,4 mil unidades, uma retração de 1,6% em relação ao volume de 2017, enquanto o setor como um todo teve alta de 6,7%. Todas as principais concorrentes da empresa no mercado brasileiro (Volkswagen, Ford, Fiat Chrysler, Toyota, Hyundai, Honda, Renault e Nissan) tiveram crescimento.

O recuo na produção da GM ocorre apesar de suas vendas terem crescido 10,2% e de a marca ser líder do mercado interno. A explicação está nas exportações, que caíram 23,6% por causa da crise na Argentina. O setor como um todo registrou queda de 17,9%. 

Prejuízos

Nesta quarta-feira, 6, a GM divulgou nos EUA que obteve um lucro líquido global de US$ 2,1 bilhões no último trimestre de 2018 e de US$ 8,1 bilhões no ano todo. A empresa alegou recentemente que teve prejuízos no Brasil nos últimos três anos, sem informar números. Segundo fontes do mercado, só no ano passado a operação brasileira teria perdido R$ 1 bilhão (cerca de US$ 270 milhões).

No mês passado, ao falar sobre a América do Sul, a presidente global da GM, Mary Barra, disse que o grupo não pretendia continuar investindo na região “para perder dinheiro”. 

Desde então, o presidente da filial brasileira, Carlos Zarlenga, tem condicionado um novo programa de investimentos no País, de R$ 10 bilhões, a um acordo com governos, fornecedores, concessionários e trabalhadores para reduzir custos.

Ao ser questionada sobre o tema, Mary Barra disse que “apesar da melhora da participação no Brasil (em vendas), o negócio na América do Sul continua sendo uma preocupação devido às contínuas pressões macroeconômicas”. Ressaltou que estão ocorrendo “discussões produtivas com as principais partes envolvidas para gerar retornos aceitáveis no mercado”.

Ela não citou fechamento de filiais no Brasil. O grupo já disse que fechará uma fábrica no Canadá e quatro nos EUA, onde 4 mil demissões foram anunciadas esta semana. Já o vice-presidente e diretor financeiro, Dhivya Suryadevara, citou o início da produção, no fim do ano, de uma nova família global de veículos com a qual espera ver melhorias nos resultados na América do Sul e outras regiões.

O presidente da Anfavea, Antonio Megale, afirmou que “dificilmente as grandes empresas vão deixar o País”. “Poucos mercados do mundo crescem como o nosso, com taxas de dois dígitos”, disse. “O mercado brasileiro tem muito potencial e pode chegar a 4 milhões de unidades antes da metade da próxima década”. Para este ano, a previsão é de vendas de 2,86 milhões de veículos, 11,4% a mais que em 2018.

Exportação cai 46% e derruba resultado do setor em janeiro

A produção de veículos no Brasil caiu 10% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2017, para 196,8 mil unidades. A queda é resultado do fraco desempenho das exportações, que despencaram 46%, somando 25 mil unidades, o pior desempenho mensal em três anos. Em relação a dezembro, o recuo foi de 21%.

A Argentina, tradicionalmente responsável por 70% das exportações, teve essa participação reduzida para 56%. Uma melhora nesse mercado, que passa por uma recessão, é esperada para o segundo semestre, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale.

Já o mercado interno cresceu 10,2% ante janeiro de 2017, com vendas de 199,8 mil veículos. O nível de emprego nas montadoras se manteve inalterado no último mês, com 130,5 mil funcionários. “À medida que o mercado crescer, reduzindo a ociosidade das fábricas, hoje de 38%, haverá contratações”, afirma Megale.

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