Vincent Yu/AP Photo
Vincent Yu/AP Photo

Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Com preocupações sobre covid, mercados internacionais fecham sem sentido único

Resiliência do vírus na Europa é fonte de preocupação cada vez mais forte; hoje, França decretou toque de recolher, enquanto Portugal e Alemanha trabalham para endurecer as medidas de contenção

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 15 de outubro de 2020 | 16h21

As Bolsas da Ásia, Europa e Nova York fecharam sem sentido único nesta quarta-feira, 14, seguindo os mercados acionários de Nova York, que na terça-feira, 13, ficaram no vermelho pela primeira vez em cinco pregões após a interrupção de testes com possíveis tratamentos para o novo coronavírus. Hoje, a doença voltou a ser foco de preocupação, após países do velho continente tomarem medidas mais bruscas para conter a covid-19, mas que deverão ser sentidas pelos mercados apenas amanhã, já que vieram quando os índices já estavam fechados.

Hoje, o governo francês anunciou que vai adotar um toque de recolher noturno por quatro semanas, a partir do próximo sábado, 17, para conter o avanço da covid-19, que tem batido recordes diários no país. Os detalhes da medida foram dados hoje pelo presidente Emmanuel Macron e ela será válido para oito cidades, entre elas, a capital Paris, podendo também poderá ser prorrogada até o dia 1º de dezembro.

Pouco tempo após, Portugal também declarou calamidade pública e quer uma lei para obrigar que as pessoas usem máscaras em espaços públicos. Já no começo da noite, foi a vez da chanceler alemã, Angela Merkel, anunciar que a Alemanha também vai endurecer as medidas restritivas no país, para evitar que uma segunda onda do coronavírus ganhe força no território. Enquanto isso, no Reino Unido, Boris Johnson é pressionado a voltar a implementar uma quarentena nacional no país.

Na última terça-feira, 14, Wall Street chegou a terminar os negócios em baixa, interrompendo uma sequência de quatro sessões de valorização, após Johnson & Johnson e Eli Lilly decidirem suspender testes com possíveis tratamentos para a covid-19 devido a preocupações com segurança. Hoje, a informação ajudou a derrubar os negócios asiáticos.

Além disso, os mercados também monitoraram os impasses em torno de um novo pacote de estímulos nos EUA, que está travado no Congresso americano. Hoje, a Casa Branca admitiu publicamente que o tema terá dificuldade para avançar antes das eleições. Mais tarde, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, também disse que um entendimento entre republicanos e democratas está longe de acontecer.

Bolsas da Ásia

Em discurso nesta quarta, o presidente chinês Xi Jinping, prometeu novas medidas para promover o desenvolvimento do maior centro tecnológico do país, Shenzhen, em meio a desavenças com Washington que prejudicaram o acesso de Pequim a componentes e serviços dos Estados Unidos. Com isso, os índices chineses Xangai CompostoShenzhen Composto caíram 0,56% e 0,60% cada.

Em outras partes da Ásia, o Kospi teve queda de 0,94% em Seul, após o banco central sul-coreano manter seu juro básico na mínima histórica de 0,50%, e o Taiex perdeu 0,21% em Taiwan. Por outro lado, o japonês Nikkei subiu 0,11% em Tóquio e o Hang Seng avançou 0,07% em Hong Kong, após não operar na terça devido a um alerta de tufão. Na Oceania, a Bolsa australiana acompanhou o viés negativo da Ásia e caiu 0,27%.  

Bolsas da Europa 

Algum otimismo foi sentido nesta quarta nos mercados europeus, depois que a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, divulgou que a produção industrial da zona do euro cresceu 0,7% em agosto ante julho, numa indicação de que continuou se recuperando dos efeitos da pandemia de coronavírus, ainda que em ritmo bem mais fraco do que nos meses anteriores. A informação ajudou as bolsas de Frankfurt, Milão, Madri e Lisboa a fecharem com ganhos de 0,07%, 0,25%, 0,6% e 0,34%. 

Nas demais praças, pesou o temor frente ao coronavírus e também alguma preocupação com o Brexit. Com o prazo para o estabelecimento de um acordo comercial entre Reino Unido e União Europeia se encerrando na próxima quarta-feira, 15, existe no mercado o temor de que nenhum pacto seja firmado entre ambos. Com isso, Stoxx 600Paris e Londres tiveram baixas de 0,09%, 0,12% e 0,58% cada.

Bolsas de Nova York

Pressionados pelo impasse fiscal nos EUA, Dow JonesS&P 500 e Nasdaq fecharam com quedas de 0,58%, 0,66% e 0,80% cada, em um dia marcado também volatilidade gerada pela temporada de balanços corporativos e temores com o avanço da covid-19. "Após uma alta de cerca de 10% para o S&P 500 desde a baixa de setembro, não é nenhuma surpresa que os mercados façam uma pausa para consolidar os ganhos", dizem analistas da corretora americana LPL Financial. 

Entre as empresas que divulgaram balanço hoje, Goldman Sachs subiu 0,20%, Wells Fargo recuou 6,02%, Bank of America cedeu 5,33% e United Health caiu 2,89%. Após o fechamento, Alcoa e United Airlines também informaram resultados. No after hours em Nova York, as ações das duas companhias registravam baixas de 2,69% e 1,15%, respectivamente. 

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, após a Agência Internacional de Energia (AIE) manter inalterada a previsão para a queda na demanda pela commodity este ano. Pelas estimativas da AIE, o consumo mundial da commodity energética cairá 8,4 milhões de barris por dia (bpd) este ano. A entidade, que tem sede em Paris, decidiu pela manutenção dos números uma vez que, embora tenha diminuído a projeção para o terceiro trimestre, elevou a expectativa para os últimos três meses de 2020, sem alteração no horizonte anual, de 91,7 milhões de bpd. 

Com isso, o WTI para novembro encerrou com ganho de 2,09%, a US$ 41,04 o barril, enquanto o Brent para dezembro subiu 2,05%, a US$ 43,32 o barril./MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E IANDER PORCELLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.