Joedson Alves/EFE
Joedson Alves/EFE

Com presidentes de saída, cúpula do Mercosul terá dificuldade para avançar em discussão sobre tarifa

Chefes de Estado se reúnem a partir desta quarta-feira em Bento Gonçalves (RS); posição do novo presidente argentino, Alberto Fernández, preocupa especialistas pelo possível viés antiliberal

Bárbara Nascimento, enviada especial, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 08h29

BENTO GONÇALVES, RS - A cúpula dos chefes de Estado do Mercosul, que ocorre nesta quarta, 4, e quinta, 5, em Bento Gonçalves (RS), deve ter dificuldades para encaminhar assuntos importantes para o bloco, como a discussão sobre redução da tarifa externa comum (TEC), atualmente em 35%. É que dois presidentes - Maurício Macri, da Argentina, e Tabaré Vázquez, do Uruguai - estão de saída e seus sucessores não estarão aqui.

Se por um lado o presidente eleito no Uruguai, Luis Lacalle Pou, tem posições similares ao Brasil na condução da política externa, por outro, a posição do novo governo argentino, sobre o comando de Alberto Fernández, preocupa os especialistas pelo possível viés antiliberal.

Para o consultor em assuntos internacionais da FecomercioSP André Luiz Sacconato, o timing do encontro é ruim e a situação do Mercosul nos próximos anos, complicada. “O bloco vai passar por momentos difíceis. Se espera da Argentina um governo mais fechado. E a Argentina tem um peso importante no bloco”, aponta.

O economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto acredita que há um cenário de maior risco para o bloco e para o próprio andamento da implantação do acordo entre Mercosul e União Europeia. O risco, diz, é que o bloco caia novamente no “limbo” observado nos últimos anos, sem grandes acordos e decisões importantes.

Para ele, contudo, é prematuro dizer que existe uma ameaça sobre a continuidade da existência do bloco. “Tem outros interesses envolvidos, mexe com o setor produtivo e tem toda uma institucionalidade que tentaria evitar ao máximo. Mas ter mais um período de limbo é um risco real”, disse.

Ele destacou que a posição mais liberal do Uruguai pode ser importante na hora de definir os rumos do Mercosul. “No novo cenário de divergência entre os dois principais países do bloco fica um cenário mais difícil. Pode ser que prevaleça algum pragmatismo, porque é de interesse dos países ter avanço. Mas tem que aparar o mal estar que ficou entre os governos para refinar melhor as demandas”, disse.

Nesta quarta-feira, 4, uma primeira reunião de ministros da Economia deve ocorrer pela manhã. O ministro Paulo Guedes deve ser substituído pelo secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo. A assessoria de Guedes ainda não confirmou o horário de chegada do ministro a Bento Gonçalves.

Às 14h30, ocorrerá uma reunião de chanceleres. Às 15h, a reunião do conselho de mercado comum apenas com os Estados-parte: Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina. Às 17h30, a reunião abarcará também os países associados. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, fará uma declaração à imprensa às 19h40. Os presidentes dos países do Mercosul só devem se reunir na quinta-feira.

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