Com pressão de europeus, Sarkozy entra nas negociações

Nove países pedem que comissário da UE seja mais duro na defesa dos agricultores do bloco

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

28 de julho de 2008 | 18h20

O presidente francês Nicolas Sarkozy passa a se envolver diretamente nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pressionar por maiores concessões por parte dos países emergentes. Nesta segunda-feira, 28, Paris montou um bloco de nove governos europeus para tentar forçar um novo entendimento. Chamado de Clube dos Voluntários, o grupo é formado por França, Irlanda, Polônia, Hungria, Grécia, Portugal, Lituânia, Chipre e Itália. O bloco já pediu que o comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, seja mais duro na defesa dos agricultores do bloco nas negociações comerciais da Rodada Doha.   Veja também: Entenda o que está em jogo na Rodada Doha da OMC China endurece posição e vira nova ameaça a um acordo na OMC Posição do Brasil na OMC é vista como 'traição', diz jornal Amorim nega mal-estar com Argentina na Rodada Doha Lula nega 'traição' a G-20 na OMC e diz que diferenças existem   Para Paris e esses países, a liberalização que ocorreria no setor agrícola não estaria sendo compensada de forma adequada pelos países emergentes. Paris quer maior acesso para bens industriais. Outro ponto defendido pelos franceses é a proteção para itens específicos produzidos pela UE, como vinho e queijo. O governo francês declarou que a UE deve defender seus interesses "com vigilância e sem ingenuidade", em particular frente aos países emergentes.   Há poucos dias, Sarkozy ligou diretamente para o comissário de Comércio da UE, pedindo que ele interrompesse seu trabalho de negociador chefe e fosse até Paris explicar o que estaria concedendo aos demais parceiros comerciais. Mandelson se recusou e Sarkozy foi obrigado a telefonar ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, para se queixar.   O francês e Mandelson mantêm uma rixa que poderia piorar nos próximos dias, dependendo do resultado das negociações. Ao lado de Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, Sarkozy tem sido a principal força na UE resistindo a um acordo.   Desde a segunda-feira passada, ministros de aproximadamente 35 países estão reunidos em Genebra para tentar fechar a Rodada Doha de liberalização comercial, iniciada em 2001. Qualquer decisão precisa ser aprovada por todos os 153 membros da OMC. Além disso, qualquer posição assumida pela União Européia precisa ser ratificada por seus 27 membros.

Mais conteúdo sobre:
Rodada DohaOMC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.