Renato S. Cerqueira/Futura Press
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Bolsa cai 1,34% com prisão de Temer e projeto de militares

Em dia de cautela, investidor repercutiu também a queda da popularidade de Bolsonaro e conflitos sobre reforma da Previdência no Congresso

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 11h53
Atualizado 22 de março de 2019 | 12h00

A frustração com a proposta de Previdência dos militares e a notícia da prisão do ex-presidente Michel Temer e de seu ex-ministro Moreira Franco levaram o Ibovespa (principal índice da Bolsa) a cair 1,34% nesta quinta-feira, 21, para 96.729 pontos. No pior momento do dia, o temor de que a prisão trouxesse desdobramentos políticos mais graves, prejudicando a tramitação da reforma previdenciária, fez com que o recuo do índice chegasse a 2,64%.

Essa foi a terceira queda consecutiva do Ibovespa, que acumula perda de 2,43% na semana. Na segunda-feira, a confiança do investidor na aprovação da reforma havia levado o índice à marca inédita dos 100 mil pontos. Desde então, a Bolsa passa por um movimento de correção.

A queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro e o imbróglio na definição do relator da reforma na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados também influenciaram negativamente o mercado.

Segundo analistas, o nervosismo inicial de ontem na Bolsa, com as prisões feitas pela Polícia Federal, diminuiu à medida em que não foram encontrados argumentos convincentes de que o caso tenha potencial para comprometer a reforma.

Em relatório, a empresa de análise política Arko Advice afirmou que, no curto prazo, as prisões podem “embaralhar o andamento” da reforma na Câmara, mas, “apesar dos ruídos, a tendência é de aprovação”.

Para Shin Lai, estrategista da Upside Investor, além da prisão de Temer, a frustração do mercado com a economia aquém do esperado na reforma previdenciária dos militares, foi uma boa justificativa para incentivar uma realização de lucros que o mercado vinha querendo fazer.

Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, diz que, por outro lado, a aceleração dos ganhos nas bolsas dos Estados Unidos à tarde foi um fator que contribuiu para amenizar perdas no Ibovespa. “Apesar de andar na contramão do mercado internacional, não havia como a Bolsa ignorar a melhora em Nova York”, afirma. “Mas, a partir de agora, o mercado terá de dividir atenções com mais um assunto, uma vez que os desdobramentos das prisões ainda podem gerar volatilidade.”

Estatais

Na análise por ações, o destaque de queda ficou com o setor financeiro, que amarga as maiores perdas também no acumulado da semana. As ações ordinárias (com direito a voto) do Banco do Brasil perderam 1,2%, as preferenciais (sem direito) do Itaú Unibanco caíram 1,76% e as preferenciais do Bradesco terminaram o dia com baixa de 2,2%. Além das ações do Banco do Brasil, outros papéis de estatais, que costumam ser mais afetados por crises políticas, tiveram perdas expressivas. Foi o caso de Eletrobrás (-2,9%) e Petrobrás (-2%). Para a petroleira, houve também influência dos preços do petróleo, que caíram no mercado internacional.

A prisão de Temer ainda provocou nervosismo no mercado de câmbio e o real foi a moeda que mais perdeu valor ante o dólar, que fechou em alta de 0,88%, cotado a R$ 3,80.

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