Com projeto Ara, Motorola pode resgatar relevância

Na era dos computadores pessoais, tornou-se comum a possibilidade de montar a própria máquina com as configurações desejadas. A Dell, por exemplo, virou referência no mercado adotando essa estratégia.

Ligia Aguilhar, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2013 | 02h11

Fabricante do primeiro celular portátil da história, a Motorola não acompanhou o ritmo de inovação da indústria, perdeu relevância e vem amargando prejuízos. A receita deste ano foi 36% menor do que a de 2012, e o prejuízo operacional chegou a US$ 248 milhões no terceiro trimestre. Sob a batuta do Google, que comprou a companhia há dois anos, a Motorola vem investindo em desenvolvimento na tentativa de se posicionar como terceira via no mercado de smartphones.

Se der certo, o projeto Ara pode ser uma chance de a empresa criar um novo mercado, recuperar a relevância e até assumir o posto de lançadora de tendências da Apple. "A possibilidade de customizar o smartphone vai em direção ao que o cliente quer e ao que já acontece em outros segmentos, como o de roupas e calçados", diz o diretor de telecom da Nielsen, Thiago Moreira.

Mas há desafios impostos pela própria indústria. "O design é hoje um dos três principais critérios para a compra de celulares, ao lado da durabilidade e da qualidade do software", diz Moreira. "O aparelho modular terá um design padrão e, por ir contra a moda, pode se tornar um produto restrito a um nicho do mercado."

A exemplo do que aconteceu nos mercados de PCs e de software, com os sistemas Linux (aberto) e Microsoft (fechado), "o usuário comum pode preferir comprar algo pronto por não entender de tecnologia", afirma Alexandre Antunes, do Portal Android. "Massificar o produto será mais um desafio", diz.

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