Com projeto atrasado, parte do Hotel Glória está à venda

Eike Batista comprou hotel em 2008 e agora negocia com um novo sócio

FELIPE WERNECK / RIO , O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2013 | 02h02

Inaugurado em 1922, o tradicional Hotel Glória, na região central do Rio, foi comprado em 2008 pelo empresário Eike Batista, que agora colocou à venda parte do negócio. A REX, braço imobiliário do grupo de Eike, informou que "a empresa está em adiantada negociação com a bandeira hoteleira que entrará como sócia e deverá realizar adaptações no projeto". Uma grande reforma teve seu pico em 2010, mas depois o ritmo caiu e a obra atrasou.

Segundo o cronograma oficial, o início das operações do hotel estava previsto para o primeiro semestre de 2014. Eike recebeu financiamento para a obra de R$ 190 milhões do (BNDES), por meio do programa ProCopa Turismo. No entanto, é improvável que a reforma, nos moldes em que foi anunciada, seja concluída até o início da Copa do Mundo.

"A preocupação é grande em relação a um patrimônio da cidade. Espero que, com a venda, o ritmo de obras seja retomado", disse a diretora cultural do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Cêça Guimaraens.

O Hotel Glória não é tombado, mas o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acompanha as obras por causa da proximidade com a Igreja da Glória. "O retrofit na parte interna do hotel é violento, mas a equipe que cuida da restauração da fachada é séria", acrescentou a arquiteta.

Eike também adquiriu um antigo prédio na esquina do Morro da Viúva, na orla do Flamengo, para transformá-lo em hotel de luxo, com 454 quartos, áreas de lazer, lojas, restaurantes, piscina e novos andares de garagem. Além dos dois hotéis, o empresário apresentou ao Iphan um polêmico projeto de revitalização da Marina da Glória, no Aterro do Flamengo, tombado em 1965, que prevê centro de convenções, novas lojas e 600 vagas de estacionamento. Com os três projetos, ele pretendia criar um "triângulo" empresarial na região.

O prédio do Hotel Glória foi projetado pelo francês Joseph Gire, também responsável pelo Copacabana Palace e pelo Palácio Laranjeiras, uma das sedes do Governo do Estado. Após a reforma, o nome mudaria para Gloria Palace Hotel. O projeto do primeiro cinco estrelas do País foi encomendado pelo então presidente da República, Epitácio Pessoa, por conta do centenário da Independência do Brasil. Na época, a sede do governo federal ficava no Palácio do Catete, a 1,5 km do hotel.

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