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Com projeto de R$ 762 mi, Libra pode mais que dobrar capacidade em Santos

Infraestrutura. Grupo espera autorização da Secretaria de Portos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários para levar adiante a expansão no Porto de Santos que prevê a integração de três áreas; obras devem começar no início do ano que vem

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2014 | 02h04

O aumento da concorrência no Porto de Santos, com a inauguração da Embraport e Brasil Terminais Portuários (BTP), não desestimulou os planos de expansão do Grupo Libra - dono de três grandes terminais de contêineres no Brasil. A empresa espera conseguir autorização da Secretaria de Portos (SEP) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para levar adiante um projeto de R$ 762 milhões, que mais que dobraria a capacidade atual do terminal em Santos.

O presidente do grupo, Marcelo Araujo, explica que o projeto está atrelado à antecipação da renovação dos contratos da empresa em Santos. Pelas novas regras do setor, definidas em 2013, quem tem arrendamento com cláusula de renovação pode pedir a antecipação dos prazos mediante plano de investimento, que será avaliado e aprovado pelo governo. Em Santos, a Libra Terminais tem três áreas, sendo que uma delas vence em setembro do ano que vem. As demais, em 2018 e 2020.

O projeto de expansão prevê a integração das três áreas, elevando a extensão do cais de 1.085 metros para 1.690 metros. O aumento será possível a partir do aterramento de uma faixa descontínua do terminal. Com isso, a empresa poderá receber mais navios simultaneamente e melhorar a produtividade. A expansão, no entanto, prevê outras obras, como a realocação da linha férrea, que hoje passa no meio do terminal. A medida ampliará a área de armazenamento e dará mais mobilidade na operação.

Há ainda a construção de um viaduto, não incluído no total de investimento. Araujo diz que o projeto de realocação da ferrovia e a construção do viaduto foi desenvolvido pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), empresa pública que administra o Porto de Santos. Segundo a estatal, o projeto de expansão ainda depende de acordo sobre uma dívida antiga da Libra. Araujo diz que as duas coisas são distintas.

O presidente do grupo aguarda um sinal verde do governo federal até o fim do ano para iniciar as obras, que devem durar três anos. Ele explica que os ganhos de produtividade conseguidos até agora serão duplicados com as obras. A Libra Terminais Santos deverá fechar o ano com uma capacidade operacional de 900 mil teus (unidade padrão equivalente a um contêiner de 20 pés) - crescimento de 28%. Com o projeto, a capacidade irá para 1,7 milhão de teus.

Contrato internacional. Neste ano, a empresa bateu recorde de 184 movimentos por hora (MPH) de contêiner - quanto maior o número menor o tempo que um navio fica atracado no cais de um terminal, o que significa menos custo para o armador. A melhora no indicador foi um dos principais fatores que ajudou a Libra a vencer uma licitação internacional que representa 48% de todo o frete de contêiner da Ásia em Santos.

O contrato foi fechado com um pool de nove armadores na rota para o Oriente, que operam navios de 9 mil contêineres - a média do País hoje é de 4.500 contêineres por navio. A dúvida de especialistas é se as restrições do canal de acesso do Porto de Santos permitirá o aproveitamento total dos grandes navios ou se eles terão de sair com menos carga.

Debêntures. O grupo concluiu ontem um processo de emissão de debêntures no valor de R$ 270 milhões pela Libra Terminais Rio. A operação terá prazo de cinco anos e taxa de CDI + 1,3%. Segundo o diretor executivo de finanças e planejamento do grupo, Alfredo de Freitas, a demanda pelos papéis foi três vezes maior que a oferta. O dinheiro será usado para concluir o projeto de expansão no Rio e para quitar dívidas mais caras. Uma nova emissão não está descartada para financiar o projeto de Santos.

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