Com PT, dívida da Oi sobe 53%, para R$ 46,2 bilhões

No primeiro balanço em que incorpora os números da Portugal Telecom, operadora registra prejuízo de R$ 221 milhões

MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 02h03

A operadora de telefonia Oi fechou o segundo trimestre com prejuízo de R$ 221 milhões, um aumento de 77,8% frente ao mesmo período de 2013. O resultado é o primeiro desde a consolidação dos números da Portugal Telecom (PT), com quem está em processo de fusão. O novo retrato do grupo mostra que a dívida líquida, já contabilizado com o grupo português, subiu 52,8%, e chegou a R$ 46,2 bilhões. Só a absorção da dívida da tele portuguesa, representou um acréscimo de R$ 21,3 bilhões.

O resultado negativo da Oi no trimestre foi influenciado por novos custos financeiros para a companhia decorrentes da unificação das dívidas das duas companhias. O novo passo agora é definir se será feita uma operação para proteger a dívida da PT em euro de variações cambiais. Também influenciaram o balanço o corte das tarifas de interconexão e uma queda da receita líquida pro forma da empresa. Na operação do Brasil, a retração dessa receita foi de 2% comparado com o segundo trimestre.

O balanço divulgado ontem traz resultados pro forma. Isso porque o aumento de capital da Oi, concluído em 05 de maio, resultou na integração da PT Portugal. Como o balanço é referente ao período de abril a junho, a empresa fez um ajuste para melhor compreensão dos seus resultados, em que considera como se a consolidação tivesse ocorrido em março de 2013.

Além disso, a companhia teve um ganho extraordinário com a venda de torres no segundo trimestre de 2013, no valor de R$ 927 milhões. Com isso, a comparação com o resultado do mesmo período deste ano foi impactada, elevando o prejuízo.

Portugal. O presidente da Oi abordou pela primeira vez a polêmica gerada com o calote de 897 milhões tomado pela PT da holding do Grupo Espírito Santo, a Rio Forte, que ameaçou a fusão das companhias. A tele portuguesa e a brasileira precisaram revisar os termos da fusão, sendo que a PT aceitou ter a participação na nova companhia reduzida de 37,3% para 25,6%. A fatia poderá ser retomada no prazo de até seis anos.

Bava defendeu as ações tomadas pela administração da empresa no caso.

O executivo afirmou que a empresa "agiu rapidamente para adotar as medidas possíveis para resguardar os interesses dos acionistas". De acordo com ele, o acordo a que se chegou "foi o possível" no processo de negociação.

Preocupação. O mercado recebeu os resultados da Oi de forma negativa, com uma preocupação apontada por analistas com a dívida e com uma menor flexibilidade da empresa para fazer investimentos. As ações preferenciais (sem direito a voto) da companhia tiveram queda de 3,73%, cotadas a R$ 1,29.

Analistas destacam que o movimento de consolidação no setor deve trazer maior pressão competitiva para a empresa, cuja "virada" parece cada vez mais complicada. "Além do cenário operacional desafiador, a alavancagem trava qualquer estratégia de consolidação e futura necessidade de caixa para o leilão 4G e investimento para retomar o crescimento", avalia um estrategista que acompanha de perto o setor.

Sobre o leilão da faixa de 700 MHz para o serviço móvel de quarta geração (4G), Bava disse que a posição da Oi vai depender do conhecimento das condições do edital. "A companhia quer manter a competitividade, mas a avaliação vai depender dos termos finais do edital."

O executivo evitou se aprofundar a respeito da oferta da Telefônica de R$ 20,1 bilhões para comprar a operadora GVT. Questionado sobre o assunto, Bava disse apenas que "a consolidação e movimentação pró-consolidação são positivos para qualquer mercado, pois permitem garantir a sustentabilidade do setor a médio e longo prazos". De acordo com o presidente da Oi, os acionistas relevantes e controladores da Oi, incluindo a administração, "estão acompanhando a evolução do mercado brasileiro". / COLABOROU BETH MOREIRA

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