Sarah Meyssonier/Reuters - 29/4/2021
Sarah Meyssonier/Reuters - 29/4/2021

Com queda de 0,6% no PIB do 1º trimestre, zona do euro tem 2ª recessão durante a pandemia

Mesmo com esse resultado, economistas dizem que o bloco está em recuperação, já que as restrições à circulação estão sendo suspensas e a vacinação avança  

Reuters

30 de abril de 2021 | 08h43

A economia da zona do euro recuou pelo segundo trimestre consecutivo no começo de 2021 e entrou na segunda recessão técnica em um ano sob impacto da pandemia de covid-19. O Produto Interno Bruto (PIB) do bloco caiu 0,6% no primeiro trimestre deste ano ante o quarto trimestre de 2020, segundo dados preliminares da Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia (UE). Embora negativo, o resultado veio melhor do que a expectativa de analistas consultados pelo agência de notícias Reuters, que previam queda de 0,8% no período.

Na comparação anual, o PIB da zona do euro sofreu retração de 1,8% entre janeiro e março. Nesse caso, a projeção do mercado era também de redução mais acentuada, de 2%.

Ainda assim, economistas dizem que a economia do bloco está em recuperação, já que as restrições para conter o coronavírus estão sendo suspensas em meio a campanhas de vacinação cada vez mais aceleradas. 

"A resiliência subjacente mostra que a economia está pronta para o (um pouco tarde) início da recuperação da pandemia, o que significa que o quadro de uma economia sem brilho da zona do euro deve mudar rapidamente", disse Bert Colijn, economista da zona do euro no banco ING. "A demanda doméstica deve ter uma forte recuperação quando as economias forem reabertas e a recuperação da indústria parece estar limitada apenas por sua própria oferta no momento. A zona do euro está pronta para começar a recuperação da pandemia", disse. 

A contração do primeiro trimestre foi causada principalmente por uma queda trimestral de 1,7% na maior economia da região, a Alemanha, onde as restrições adotadas desde novembro afetaram o consumo privado. Mas o resultado foi atenuado por um crescimento de 0,4% na segunda maior economia, a França, à medida que os gastos do consumidor e o investimento empresarial se sustentaram, apesar das restrições ao coronavírus. O país só entrou em seu terceiro lockdown nacional no fim de março.

"A recessão é coisa do passado. Com vacinações progressivas e uma propagação sazonalmente mais lenta do coronavírus, os números de infecção devem continuar a cair nas próximas semanas", disse Christoph Weil, economista sênior do Commerzbank. “Com as lojas abertas, a vida social será retomada e a atividade econômica terá uma retomada notável. No verão, restaurantes, hotéis e outros serviços de contato intensivo também devem poder retomar as operações normais. Esperamos que a economia volte ao nível pré-crise até o fim deste ano."

O Eurostat também informou que os preços ao consumidor da zona do euro subiram 0,6% no comparativo mensal em abril, para um ganho anual de 1,6%, conforme esperado por economistas consultados pela Reuters. Mas, em vez de impulsionada por uma atividade econômica mais forte, a aceleração do crescimento dos preços foi afetada por um aumento anual de 10,3% nos preços da energia. 

Sem os componentes voláteis de energia e alimentos não processados, ou o que o Banco Central Europeu (BCE) chama de núcleo de inflação, os preços subiram 0,5% no comparativo mensal para uma alta de 0,8% no comparativo anual, uma desaceleração em relação ao 1,0% no comparativo anual registrado no mês anterior. É provável que a queda do núcleo da inflação reforce os apelos ao BCE para manter o estímulo à economia. "O BCE será desafiado significativamente em termos de comunicação nas próximas reuniões. Com a inflação se aproximando de 2%, assim que o crescimento do PIB aumentar será fundamental para o BCE transmitir a mensagem de que as pressões inflacionárias parecem transitórias por enquanto", disse Colijn do ING.

Segundo o Eurostat, o desemprego na zona do euro caiu para 8,1% em março, atingindo 13,166 milhões de pessoas, ante a taxa de 8,2% registrada em fevereiro.

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