BRENDAN MCDERMID | REUTERS
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Com queda de 42% no Brasil, Avon tem prejuízo global

Gigante dos cosméticos sofreu com desvalorização do real, alta de tributos e crise em seu principal mercado; ações despencaram 20%

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2015 | 20h58

A gigante dos cosméticos Avon está sofrendo com uma onda de más notícias que parece não ter fim. Os resultados do terceiro trimestre, divulgados nesta quarta-feira, 4, reforçaram a maré ruim: de julho a setembro, a empresa registrou perdas de US$ 697 milhões, revertendo o lucro de US$ 92 milhões registrado no mesmo período de 2014. A reação do mercado financeiro foi radical: as ações da empresa caíram 20% hoje, fechando a US$ 3,44. Em 2015, a companhia perdeu mais de 60% de valor de mercado.

O Brasil teve forte contribuição para a nova dor de cabeça da Avon. Os resultados no País – que há anos é o maior mercado para a empresa de cosméticos – despencaram 42% quando convertidos para a moeda americana. Em teleconferência com analistas, hoje, a presidente global da Avon, Sheri McCoy, admitiu os problemas enfrentados no Brasil, mas ressalvou que a forte queda nas receitas foi causada principalmente pela desvalorização do real e pela alta de tributos.

Segundo a empresa, as vendas teriam crescido 6% no País não fossem os efeitos da alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor e principalmente da desvalorização do real frente ao dólar, que passa de 40% no acumulado de 2015. No entanto, a Avon também enfrenta a crise, que dificulta reajustes de preços.

Apesar do cenário difícil, a empresa diz que a companhia continua a angariar revendedoras em território nacional. “O time (brasileiro) teve uma excelente conferência para o Natal, com recorde em recrutamento de representantes”, disse McCoy. Segundo fontes do setor, em tempos de crise é comum a busca de alternativas de renda pelas mulheres, o que favorece o recrutamento e fidelização da força de vendas das marcas que trabalham com o porta a porta.

Dificuldades nos EUA. Embora seja diretamente afetada pela crise no Brasil e em outros mercados – já que 80% de suas receitas vêm de fora da América do Norte –, a avaliação do mercado financeiro é que existem também erros de execução do modelo de negócio nos Estados Unidos, justamente onde a economia vai bem.

A piora nos resultados poderia levar a empresa a buscar investidores externos – como um fundo de private equity –, já que a Avon está consumindo rapidamente seu caixa disponível. Hoje, a empresa tem US$ 587 milhões disponíveis, uma queda de 39% em relação aos US$ 960 milhões do início deste ano.

A receita global da Avon teve queda de 22% no terceiro trimestre, na comparação anual, e atingiu US$ 1,7 bilhão. Mesmo sem os impactos da variação cambial em vários de seus mercados, o faturamento mundial teria tido retração de 2%, segundo o balanço da companhia.

Enquanto no Brasil a Avon está conseguindo recompor o quadro de consultoras, nos Estados Unidos a força de venda da marca continua a encolher. Com isso, em todo o mundo, o número de revendedoras teve queda de 1%.

“Nos Estados Unidos, nosso principal objetivo tem sido a melhoria do engajamento das nossas representantes e o ajuste da nossa estrutura de custos. Estamos fazendo progressos e seguindo na direção correta. No entanto, isso está ocorrendo em uma velocidade menor do que a esperada”, disse Sheri McCoy em teleconferência. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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