Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com queda de 7%, vendas do varejo têm o pior primeiro semestre da série histórica do IBGE

Na comparação de junho com o mesmo mês do ano passado, as vendas tiveram baixa de 5,3%, 15º taxa negativa consecutiva

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2016 | 09h44

RIO - As vendas do comércio varejista registraram o pior primeiro semestre da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2001. Segundo dados do instituto divulgados nesta terça-feira, 9, as vendas recuaram 7% nos primeiros seis meses do ano, e acumularam retração de 6,7% em 12 meses.

No mês de junho ante maio, na série com ajuste sazonal, as vendas do varejo subiram 0,10%. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,90% a crescimento de 0,80%, com mediana negativa de 0,30%. Na comparação com junho de 2015, sem ajuste sazonal, as vendas tiveram baixa de 5,3% em junho de 2016, 15º taxa negativa consecutiva.

Segundo a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, apesar dos sinais positivos no mês de junho, o varejo ainda não vive um momento de recuperação, mas sim de redução no ritmo de queda das vendas. "Não houve melhora substancial ainda. Na margem a gente vê redução no ritmo de queda, um recuo menor do que nos meses anteriores. Mas os indicadores acumulados, que dão a tendência, ainda têm recorde de queda, tanto no acumulado no ano e quanto no acumulado em 12 meses", disse Isabella. "Falar em recuperação seria, no mínimo, precipitado." 

Cinco entre as oito atividades do varejo apresentaram variações negativas no volume vendido na passagem de maio para junho. Os desempenhos que mais influenciaram negativamente a taxa global foram dos setores de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que encolheu 0,4% após a relativa estabilidade registrada em maio (0,1%), e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, cujas vendas diminuíram 3,6%.

A deterioração no mercado de trabalho e a inflação de alimentos estão prejudicando as vendas do setor de supermercados, segundo Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "É uma atividade que concentra uma parcela maior do consumo das famílias, em especial das famílias de baixa renda. Se você tem redução da renda, aliada a uma pressão inflacionária, que é o que está acontecendo aqui, isso traz impacto para o setor de alimentos e bebidas", afirmou Isabella.

A atividade de supermercados responde por cerca de 50% das vendas do varejo e 30% do varejo ampliado, que inclui também os segmentos de veículos e material de construção. Como tem peso importante para a taxa global do varejo, Isabella reconhece que a retomada das vendas passa também por uma recuperação dos supermercados.

Houve ainda ligeira queda nos setores de combustíveis e lubrificantes (-0,1%); móveis e eletrodomésticos (-0,1%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,2%). Na direção oposta, houve avanço no volume de vendas de tecidos, vestuário e calçados (0,7%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,8%); e livros, jornais, revistas e papelaria (0,6%).

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 0,20% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal.  Na comparação com junho de 2015, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 8,4% em junho de 2016. Nesse confronto, as projeções variavam de retração de 9,50% a 5,40%, com mediana negativa de 7,95%. Até junho, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 9,3% no ano e recuo de 10,1% em 12 meses. 

O varejo opera 11,9% abaixo do pico de vendas registrado em novembro de 2014. Já o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, trabalha 19,7% abaixo do pico registrado em agosto de 2012.

O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo em maio ante abril, de -1,0% para -0,9%. O resultado do varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, também foi revisto: passou de -0,4% para -0,3% em maio ante abril. 

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