Gabriela Biló/Estadão
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Com queda de juros, fundos de pensão miram ações

Antes da pandemia, os fundos de pensão tinham iniciado um movimento de diversificação dos investimentos em Bolsa para compensar a queda dos juros e cumprir as metas de rentabilidade

Renee Pereira e Luciana Dyniewicz, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2020 | 05h00

Antes da pandemia, os fundos de pensão tinham iniciado um movimento de diversificação dos investimentos em Bolsa para compensar a queda dos juros e cumprir as metas de rentabilidade. Ainda assim, com a gravidade da crise atual, eles terão dificuldade para bater metas e correm risco de exigir aportes extras de seus participantes e reduzir benefícios de aposentados.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), até novembro do ano passado (último dado disponível), a renda fixa representava 73,5% dos ativos dos fundos e os investimentos em ações, 18%. Naquele mês, com os juros em queda, a rentabilidade dos investimentos ficou negativo em 0,15% enquanto a renda variável (ações) ficou positiva em 0,5% no mês. O resultado era um indicativo de que as carteiras precisam apostar em ativos de maior risco.

“O sistema estava iniciando um movimento para aumentar o risco de seus investimentos e cumprir as metas atuariais”, diz o presidente da Abrapp, Luis Ricardo Martins. Esse movimento vinha num crescente tão grande, que os fundos de pensão estavam ocupando espaço até então dos investidores estrangeiros na Bolsa, acrescenta o economista José Roberto Afonso.

O entrave que surgiu agora é que a Bolsa -- um investimento de maior risco, mas que promete rentabilidade maior -- despencou com a crise do coronavírus, ainda que haja indícios de recuperação. Enquanto isso, os investimentos conservadores, de renda fixa -- como títulos do Tesouro -- estão com rentabilidade baixa. Eles são atrelados à taxa básica de juros, que está em 3%, menor nível da história.

“Os ativos precisam crescer numa taxa semelhante ao atuarial. Se não tiver esse equilíbrio, os fundos têm de mudar suas estratégias, podendo exigir mais aportes de seus participantes”, diz professor da FEA/USP José Roberto Savoia, ex-secretário de Previdência Complementar.

O diretor de investimentos do Postalis, Alexandre Miguel, conta que, antes da pandemia, os investimentos em títulos públicos do fundo já não estavam batendo a meta. “Víamos a necessidade de tomar mais risco”, diz. Apesar de ter sido uma fonte de prejuízo, dada a queda histórica em março, a Bolsa foi também uma aposta de Miguel.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, começou o ano com 118,6 mil pontos. Em março, chegou a 63,6 mil pontos. Nesse momento, quando as ações estavam baratas, o Postalis comprou papéis na B3. Apenas um de seus planos alocou R$ 200 milhões na Bolsa no meio da crise. O fundo também adquiriu títulos públicos com vencimento para 2050. “O fato de investirmos no longo prazo nos ajuda a passar por uma crise como essa, porque não precisamos de liquidez imediata”, afirma Miguel.

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