Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Com queda do dólar em outubro, brasileiros aumentam gastos no exterior

Diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil ficou negativo de US$ 988 milhões

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2016 | 12h08

BRASÍLIA - A conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em outubro, informou nesta terça-feira, 22, o Banco Central. No mês passado, quando o dólar recuou cerca de 2% ante o real, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil foi de um saldo negativo de US$ 988 milhões. Em igual mês de 2015, o déficit nessa conta foi de US$ 549 milhões.

O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,421 bilhão em outubro. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 434 milhões no mês passado.

No acumulado do ano até outubro, o saldo líquido dessa conta está negativo em US$ 6,801 bilhões. Em igual período do ano passado, esse valor era de US$ 10,355 bilhões. Para 2016, o BC estima um déficit de US$ 7,5 bilhões para esta rubrica, menos que os US$ 11,5 bilhões de déficit registrados em 2015. 

Contas externas. Após o déficit de US$ 465 milhões em setembro, o resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 3,339 bilhões em outubro. Este resultado de outubro representa o menor déficit para o mês desde outubro de 2009, quando somou US$ 3,021 bilhões. O BC projetava para outubro um déficit em conta de US$ 2,8 bilhões. No acumulado do ano até outubro, o rombo nas contas externas soma US$ 16,957 bilhões.     

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 2,108 bilhões em outubro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,782 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 2,996 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 3,218 bilhões.

Já nos últimos 12 meses até outubro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 22,349 bilhões, o que representa 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB). É o menor porcentual desde setembro de 2009 (1,17%). 

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou que o déficit em conta corrente de US$ 3,339 bilhões em outubro veio acima do saldo negativo de US$ 2,8 bilhões esperado pela autoridade monetária porque o superávit da balança comercial veio um pouco menor do os dados apontavam. Mas, segundo ele, o resultado mostra a continuidade da tendência de resultados menores que os de igual período do ano passado.

"O déficit em transações correntes em 12 meses continua recuando. Isso ilustra bem a proporção do ajuste nas contas externas. O déficit das contas externas deixou de ser um ponto de preocupação macroeconômica", comentou. 

Dívida. A estimativa do Banco Central para a dívida externa brasileira em outubro é de US$ 335,361 bilhões. Segundo a instituição, o ano de 2015 terminou com uma dívida de US$ 334,745 bilhões e o último dado verificado (do mês de setembro deste ano) somava US$ 338,502 bilhões.

A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 269,492 bilhões em outubro, enquanto o estoque de curto prazo ficou em US$ 65,869 bilhões no fim do mês passado, segundo as estimativas do BC.

 

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