Com queda do PIB menor que esperada, Selic pode cair a 9,5%

Ministro Paulo Bernardo destacou, contudo, que o resultado não terá influência sobre a decisão do Copom

Agência Estado,

09 de junho de 2009 | 10h31

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano foram melhores do que a expectativa dos analistas e reforçou a ideia de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic, a taxa básica de juros, em 0,75 ponto porcentual e não em 1 ponto porcentual, como chegou a ser cogitado, caso o PIB tivesse uma queda maior. Hoje a Selic está em 10,25% ao ano.

 

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda foi de 0,8% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o último trimestre de 2008. A expectativa era de uma queda entre 3% e 0,9%. Ainda assim, o resultado confirma uma recessão técnica no País, determinada pela queda do PIB em dois trimestres consecutivos.

 

"O número é muito melhor do que o esperado. Esse dado eliminará a aposta de redução de 1pp da Selic na reunião do Copom amanhã, mas deve consolidar a previsão de 0,75pp", disse o economista para Brasil do banco de investimentos do Barclays Capital, Paulo Mateus. "O dado mostrou que a queda foi bastante concentrada no quarto trimestre. A economia está em um ritmo muito melhor de crescimento. Já mostra uma recuperação", afirmou.

 

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central Henrique Meirelles consideraram que o PIB foi muito melhor do que o esperado. Destacou, contudo, que o resultado não terá influência sobre a decisão do Copom. Ele destacou que o governo está convencido de que o resultado do segundo trimestre será positivo sobre o desempenho do primeiro trimestre deste ano.

 

Na comparação com o primeiro trimestre de 2008, o PIB do primeiro trimestre de 2009 registrou uma queda de 1,8%, no teto das estimativas dos analistas, que esperavam uma queda entre 3,50% e 1,80%.

 

Recessão técnica

 

O único consenso que se tem sobre a decisão do Copom, contudo, está na aposta de que o País terá, pela primeira vez, juro de um dígito a partir de amanhã à noite.

 

Ontem, por exemplo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não estar satisfeito com o nível do juro real, atualmente perto de 5% ao ano. A avaliação contrasta com recente afirmação do presidente do BC, Henrique Meirelles, de que a taxa de 5% é algo a se comemorar porque é a menor da história recente do Brasil.

 

"Não há razão para impor à sociedade os custos de menos atividade e mais gastos com juros em nome do regime de metas porque a inflação está firme abaixo do centro da meta", diz em relatório o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, que aposta na queda da Selic para 9,25% ao ano. Atualmente, o mercado prevê Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,33% em 2009, abaixo do centro da meta de 4,5%. O economista argumenta que não há pressão na demanda e a reação econômica que se desenha pode ser lenta.

 

O time de Lima Gonçalves é, no entanto, minoria. Pela pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo BC, a maior parte dos analistas mantém firme a aposta de que a Selic cairá para 9,5%. "A não ser que o PIB seja uma surpresa catastrófica, o Copom já sabe o que vai fazer. O BC sempre diz que faz política monetária olhando para frente, dando menos importância para a visão do retrovisor", diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Gomes.

 

"Os animadores sinais de recuperação da atividade doméstica e a melhora dos mercados internacionais, de forma mais intensa desde a última reunião do Copom, reduzem o senso de urgência para a decisão", diz o economista do Santander, Maurício Molan. Em relatório, ele lembra que o corte dos juros adotado desde o início do ano gera reflexos com defasagem.

 

Apesar das divergências entre as apostas, não há expectativa de uma taxa Selic estável. Com a queda prevista de pelo menos 0,50 ponto, será a primeira vez desde a adoção da Selic, em 1996, que a taxa anual será de apenas um dígito. Nesse período, no auge do estresse do mercado pela maxidesvalorização do real em 1999, a taxa chegou a 45%.

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